Brenda Ligia-Cinema,TV,Teatro

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Brenda Ligia, atriz. Em 2018 estreia na série “Assédio” (Rede Globo), “África da Sorte” (TV Brasil), “Onde quer que você esteja” (longa), “Flores do Cárcere” (longa), “15 segundos” (longa), “Causa Mortis” (curta). Formada na Faculdade de Comunicação Social; curso técnico profissionalizante de Teatro (SP); curso superior na University of the West Indies (Trinidad & Tobago). 6 séries de TV (“Sob Pressão”/ Rede Globo; “A Mulher do Prefeito”/ Rede Globo); em cinema, 7 longas (“As Melhores Coisas do Mundo”/ Laís Bodanzky; “Bruna Surfistinha”); 10 curtas; 9 espetáculos teatrais; 10 campanhas (como apresentadora); 15 comerciais (publicidade, institucionais) e 8 videoclipes. Inglês fluente, francês avançado. Também diretora, roteirista e montadora de 5 curtas: “Aqui Jaz” (prêmio ‘melhor atriz de curta’ p/ Brenda Ligia no CinePE 2017), “Rabutaia”, entre outros. Contato: brenda.ligia@hotmail.com

1 de janeiro de 2014

Peréio

Um dos primeiros colegas de trabalho que conheci na ilha (Fernando de Noronha, enquanto filmávamos o longa-metragem "Sangue Azul", de Lírio Ferreira) foi este senhor ator, Paulo Cesar Peréio. Depois do café-da-manhã na pousada, perguntou onde eu ia de canga amarrada. "Dar um mergulho", respondi, "quer ir?" Ele disse "sim", levantou-se, andou e saiu. Veio de vez. Não pegou nada: bolsa com protetor, nem chapéu, sunga, nada. Veio assim, descalço, de camisa social com botões, naquele baita calor, mesmo. 
Atriz Brenda Ligia e ator Paulo César Peréio em Fernando de Noronha
Filmagens do filme "Sangue Azul", de Lírio Ferreira (Drama Filmes/SP)
Para minha surpresa, entramos num jipe amarelo, imagina, para um trajeto com emoção. A chave, já na ignição. Eita, cabra pé de chumbo! Nas curvas, eu amarelava e ia freando junto. Ele nem deu bola pros cones que derrubou na pista, ao lado da Igreja dos Remédios: era uma suposta barreira que pedia "Silêncio" para nossa própria equipe, que filmava no nosso dia de folga. "Cortaaa!" 
O diretor parou a cena. Todos olharam pro jipe amarelo, e, dentro dele, Peréio e eu; seres inconfundivelmente grandes demais. Até tentei esboçar uma cara de "ai, que vergonha", mas quando ele deu aquela buzinadinha dupla pra galera toda, eu acenei, simpática. Assim, dei tchauzinho, mesmo. Conforme fui erguendo o braço, instantaneamente me arrependia da papagaiada; mas a mão, já erguida, chacoalhava no ar, não tinha como recolher o mico. Ok, foi. 
Chegamos à praia de águas claras, ondas calmas, famílias com crianças e alguns jovens casais. Um grupo de trabalhadores descansava da obra, e foi pela feição arregalada da maioria deles que olhei pro Peréio e vi sua bunda branca ali, virada pro mar, enquanto ele, peladão ali mesmo, trocava a cueca (que ele não usava) pelo traje de banho, bem na frente de todo mundo, como fazem as crianças ou os loucos livres.
Foi assim meu primeiro contato com esse espírito Peréio: um coração grandalhão, intenso e debochado, que às vezes faz rir, outras não. Falou sobre Cinema Novo, ex-mulheres e filhos, quis saber do meu povo (Ibiá-MG). Disse algumas barbaridades, que, "em francês, até soam bem", comentei. Gostei de dividir com ele algumas cervejas geladas, experiências partilhadas, e também as pausas que às vezes pairam entre pessoas que se conhecem pouco. No conforto do nosso silêncio, ouvia-se apenas o som das ondas quebrando na praia... tudo isso jaz no passado e guardo com as coisas que me fazem sorrir.

Abaixo, trailer do filme "Peréio, Eu te Odeio" (em breve, nos cinemas). 

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