Brenda Ligia-Cinema,TV,Teatro

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Brenda Ligia, atriz de cinema, está em "Todas as Cores da Noite" (Pedro Severien), "As Melhores Coisas do Mundo" (Laís Bodanzky), "Sangue Azul" (Lírio Ferreira), "Bruna Surfistinha" (Marcus Baldini), e outros. Atuou nas séries de televisão "A Mulher do Prefeito" (Rede Globo), "Beleza S/A" (GNT), "9mm SP" (Fox), "Somos Um Só" (TV Cultura), diversos comerciais e videoclipes musicais. Também é apresentadora e videomaker (roteiriza, dirige, atua e monta os próprios filmes). Estudou no Teatro Escola Macunaíma/SP; atuou em comédias, musicais, infantis e dramas. É formada em Comunicação Social pela Faculdade Oswaldo Cruz/SP, cursou Ciências Sociais na University of the West Indies (Trinidad & Tobago, Caribe) e Francês em Vevey (Suíça). Estreia em 2017: série de TV "África da Sorte" (TV Brasil) e curta-metragem "Causa Mortis", de Luiz Rodrigues. CONTATO (cinema, televisão e teatro): brenda.ligia@hotmail.com

4 de junho de 2014

Meus anos de solidão

Desde menina, sempre tive tendência à solidão. Caçula de dois mais velhos, lidava, à hora de dormir, com papai e mamãe dividindo a suíte, o zum-zum-zum dos irmãos papeando no quarto ao lado, e, no meu, eu só, entre Barbies, Pogobol e Moranguinhos. Sob minha cama, os fantasmas da noite jaziam vigilantes ao xixi noturno e à mamadeira de Nescau quentinho, tardios hábitos secretos da marmanja que lia cada página como quem conta carneirinhos para o sono chegar. "Casa de Vó é Sempre Domingo", de Marina Martinez, "8 Minutos dentro de uma Fotografia", de Ganymédes José, "Sozinha no Mundo", de Marcos Rey... e nunca Monteiro Lobato. Nunca. Então dormia... e sonhava a menina. 
Mas solidão só presta se for sob medida, com prazo limite. Só não dói pra quem tem amor, música, ou algo pra ler; pode ser um jornal velho de anteontem, embalagem de shampoo pra cabelos crespos, mas, se for um livro, ah! Ótimo. Se for bom, melhor ainda. Aí basta. 
Cem Anos de Solidão
Ontem acabei "Cem Anos de Solidão". Fiquei arrastando os últimos capítulos, pra fazer render e durar mais. Entendi perfeitamente o porquê do danado do Gabriel Garcia Márquez ter sido o autor do clássico mais lido no planeta. Fiquei hipnotizada por este tal realismo fantástico, pela escrita artística de Gabo, pela urgência que ele imprime nas suas viagens criativas. Me fez refletir sobre as tradições familiares, as raízes e a polítca. Pirei na Macondo de borboletas amarelas, peixinhos de ouro e gente com rabo de porco. Vi os 17 Aurelianos com cruz na testa, Rebeca comendo terra escondida, Fernanda fazendo necessidades em penicos de ouro, Remédios subindo aos céus com lençóis flutuantes... quanto poder existe no dom da escrita! É o dom de perpetuar sonhos através do tempo e do espaço. É lindo! 
Gabo dizia que "o segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um pacto honroso com a solidão". Sendo assim, enquanto me restar saúde, visão e algum livro pra ler, estarei salva, porque, quando você vive outras vidas, a solidão é compartilhada com aquele mundo inventado. É uma deliciosa viagem. Eu ousaria chamá-la de felicidade. 

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