Brenda Ligia-Cinema,TV,Teatro

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Brenda Ligia, atriz, atuou em 17 longas, 13 séries de TV e 10 espetáculos teatrais. Também é mestre de cerimônias, apresentadora, diretora e locutora trilíngue; fala inglês fluentemente e francês. 6 prêmios nacionais e internacionais de Melhor Atriz e Melhor Direcão. No CINEMA, atua em Lusco-Fusco, Amadeo, Cerrates Robin Hoods, Meu último desejo, Lispectorante, Cidade;Campo, Amado, Sangue Azul, Onde Quer Que Você Esteja, Todas as cores da noite, Bruna Surfistinha, Flores do Cárcere, As melhores coisas do mundo, Bom dia, eternidade, Dente por dente, Contra a parede. Na TELEVISÃO, atua na série Na Batalha (estreia em breve). Na TV Globo, atuou nas séries Sob Pressão, Assédio e na comédia A mulher do prefeito. Na HBO Max, está no k-drama Além do Guarda-roupa. Protagonizou episódio da série História de Preta. Participou das séries África da Sorte, Hard, Beleza S/A, Ninguém tá olhando, Somos um só, 9mmSP. É apresentadora da série Gol de Letra (estreia em breve). Contato: brenda.ligia@hotmail.com

29 de junho de 2015

Sangue Azul: em cartaz nos cinemas

Você já foi ao cinema para assistir Sangue Azul - O Filme?
Essa semana nosso filme segue em cartaz no seguinte circuito: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Maceió e João Pessoa. Imperdível!
Jandira (Brenda Ligia) em Sangue Azul (de Lírio Ferreira) com Ivonete (Fernando de Noronha)

Em memória

Um dia me perguntaram se a dor do parto era a pior do mundo. "Claro que não", eu disse. Porque a pior dor do mundo não é a de ganhar um filho, e sim perder. Não existe, nessa vida, nada mais doloroso do que uma mãe se despedindo do filho. É a faca afiada da saudade que estraçalha a alma; e parece que não cicatriza nunca, Deus me livre. 
 
Ontem à noite, no Morada da Paz, presenciei uma mãe-leoa se despedindo da cria que lutou contra o câncer com todas as forças e sede de beber até a última gota de vida. Cumpriu a missão e libertou-se das dores do seu mundo; a jovem Júlia Ferreira partiu deixando saudade e lição de vida.

Então, com o coração apertado, dei meu abraço mais forte em seu pai, nosso amigo Lirio Ferreira, cujos olhos tristes refletiam o maior amor do mundo.

No caixão, entre tantas flores, a mais bela repousava serena em seu descanso perpétuo, quase sorrindo de tão linda a jovem mocinha. Dei um beijo em sua testa fria, despedindo-me da guerreira corajosa que conheci ainda criança.

"Olhaí, Juju. Eu não prometi trazer Raul pra você conhecer? Então!", pensei. As mãozinhas quentes do meu filho tentavam tocá-la, tão florida estava. Ele também se despedia; afinal, a sensibilidade dos bebês é muito maior do que se imagina.

Foi uma honra tê-la em nossas vidas, Júlia. Mas agora já pode voltar a voar: livre, enfim.
Uma roda de amor, tristeza e saudade


Lirio Ferreira, amigo gatito, amo você. Levante-se quando estiver pronto: estaremos aqui para ampará-lo.

Agora chove forte lá fora, e aqui dentro, há saudade líquida escorrendo pelo rosto, e queimando mais que a chama da vela que acendemos pra ela. Ê, vida que faz "crescer e aceitar que, de repente, tudo muda e troca de lugar."

Júlia Ferreira, descanse em paz, filha.
 
 
 
  
"A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas tem o abraço, as almas tem o enlace".
Victor Hugo
 

4 de junho de 2015

Estreia HOJE nos cinemas: Sangue Azul

Hoje é a estreia nacional do nosso premiado Sangue Azul - O Filme. No filme, minha personagem é Jandira, a ilhéu vulcânica. E eu queria que todo mundo fosse ao cinema para ver um dos mais belos longas do ano. Todo mundo.

SANGUE AZUL: a partir de hoje, nos cinemas do Brasil. Um filme de amor numa ilha que traz o circo rodeado pelo mar.

Direção: Lirio Ferreira (Drama Filmes)
Com: Daniel de Oliveira, Caroline Abras, Matheus Nachtergaele, Milhem Cortaz, Laura Ramos, Paulo Cesar Pereio, Sandra Corveloni, Ruy Guerra, Romulo Braga, Brenda Ligia e grande elenco grandioso.

-Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator Coadjuvante no Festival do Rio | Rio International Film Festival
-Melhor Fotografia e Melhor Figurino no Paulínia Film Festival
-Exibido na abertura do Festival de Berlim
-Primeiro longa-metragem inteiramente filmado no arquipélago de Fernando De Noronha

1 de junho de 2015

Pré-estreia de Sangue Azul

Pré-estreia do nosso Sangue Azul - O Filme (Recife).
Estreia nacionalmente nesta quinta-feira, dia 4 de junho, num cinema perto de você!
Daniel de Oliveira, Lírio Ferreira, Lia de Itamaracá e Brenda Ligia
Parte da equipe do filme Sangue Azul

31 de maio de 2015

Sublime

Quando o tempo para e o amor paira
Enquanto mama, ele me fita com olhinhos inocentes, de um cinza azulado profundo, como dos anjos. A mãozinha prende meu dedo e juro que gostaria de congelar este momento pela eternidade... impossível. Ele suga, o amor flui, e é natural. Ele sonha, risonho. Me derreto por dentro, sentindo o que não se vê. Eu sou ele e ele me é, também... tão bom. É sagrado, só nosso.
Se espreguiça, charmoso. Um gemidinho-neném; acho graça. Em câmera lenta, libera o mamilo: se encheu. Leite escorrendo pelo canto da boquinha perfeita; passo a fralda bordada. Os dedinhos relaxam. Parece que dormiu.
É, dormiu. Meu anjo. Contemplo em silêncio. Afago. Ternura.
Acorda logo, meu filho... pra recomeçar essa felicidade grátis que dura pra sempre no coração da gente e faz o tempo parar.

17 de maio de 2015

RABUTAIA



Muitas vezes eu penso: "isso daria um filme". Um dia, com essa ideia na cabeça e câmera à obra, imagine: fizemos um filme. Quase caseiro, mas ainda assim, um filme. Desses do tipo documentário: tudo verdade. Quando você tiver oito minutos livres, por favor, assista nosso "RABUTAIA".
RABUTAIA (direção, roteiro e edição: Brenda Ligia) from Brenda Ligia on Vimeo.
Direção, Roteiro e Edição: Brenda Ligia Miguel
Com: Gilson Silva, Diva Miguel & família
Direção de Fotografia: Marcelo Pinheiro
Correção de Cor: Cristiano Lemos
Música: Gustavo DA Lua e Ricardo Miguel
https://vimeo.com/97046643
(ENGLISH SUBTITLES / LEGENDAS EM INGLÊS)


-Prêmio Especial Link Digital no festival de cinema Cine Pe 2014

-Estreia internacional com exibição no Golden Orchid International Festival em 2014 (Pensilvânia, E.U.A.)

"Pura linguagem e pura política. Amei".
Luiz Carlos Merten, Estadão

"'Rabutaia' foi um dos poucos filmes que conseguiram se destacar no festival".
Carlos Helí de Almeida, O Globo

******************
"Orson Welles, provavelmente mentindo, afirma que na verdade: 'um filme, além de morto, não está nem muito fresco. Vem numa luta. Fazer um filme leva tempo. O filme que estreia na semana que vem é do ano passado'. É um fato. Mas nós, que nos sentamos no escuro para seu velório, sempre o ressuscitamos. E quando isso acontece, que bela eternidade ele nos dá para o que sobrar do dia. Experimente."
José Wilker

14 de maio de 2015

Memória de infância


Uma das primeiras memórias que tenho da infância é de quando vi, pela primeira vez, a lua. Eu tinha uns 4 anos e viajava no banco de trás da nossa Variant branca, indo de Ilhéus para Itabuna. Ia solta, sem cinto de segurança nem nada, porque nos anos 80 era assim, mesmo. Minha mãe, a motorista, com grandes bobes coloridos escondidos nos cabelos, sob um lenço estampado, dirigia pela estrada enquanto fumava feito caipora, soltando baforadas do seu Plaza longo c/ piteira (nos anos 80 era assim, mesmo).
A Lua e Eu

Eu, sarará de maria-chiquinha e barrigão cheio de verme, observava o mundo com os olhinhos atentos de criança curiosa... via o mar, a fumaça, e a joaninha que eu trazia, com cuidado, na palma da mão.
"Essa vai morar com a gente", pensei meu segredo, "e dormir comigo, no meu quarto". Satisfeita, eu.
Via o céu, as estrelas, a lua... mas, peraí: a lua estava seguindo a gente. Os coqueiros passavam, as casinhas de beira de estrada ficavam pra trás, tudo sumia de vista... mas a lua, não! Ela estava, definitivamente, se-guin-do a gente!
-Mãe! A lua está seguindo a gente, mãe!
Pelo retrovisor, ela me olhou, sorriu e disse "ãrran".
Como assim? Só "ãrran"? Um evento daquela dimensão, descoberto por mim, e ela apenas "ãrran"!? Tsc, tsc, tsc... que decepção, Dona Marizia.
E assim foi até chegarmos em casa: a lua nos fez a escolta exclusiva mais brilhante de que se teve notícia. Eu, me sentindo importante, esboçava um sorriso tão largo que exibia até as estrelas do céu da boca. "Só podia ser coisa da joaninha da sorte!"
Menina mais satisfeita, naquele dia, não havia em toda a Bahia.

Ao longo dos anos, descobri que a lua me seguiria sempre, por onde quer eu fosse. Desde quando nasci (virada pra lua?), na minha amada Ibiá/MG (onde a vida tem cheiro de pão de queijo de vó), passando por São Paulo, Suíça, Trinidad & Tobago, Panamá, Recife... por onde andei, até os dias de hoje, ela (soberana) me vigia (e reina) atenta, lá do topo.
No céu de minha existência, ao longo das últimas décadas, a lua deu 481 voltas na Terra, mantendo sempre sua beleza majestosa, única. Quem mudou fui eu... bastante. Mas aquela menininha ainda brinca em minha alma... principalmente esta noite, quando encontrei uma joaninha na calçada e trouxe escondida, pra morar comigo. Me sinto, de novo, como aquela criança ingênua que guardo desde sempre, com carinho, aqui na minha memória emotiva; que se encantava com as maravilhas do mundo e os mistérios dos céus, sem saber ao certo onde termina um e começa o outro.

E você, qual é sua primeira memória de infância?

10 de maio de 2015

Disse não disse

Minha mãe disse "ele está com cólica porque tomou vento".
Minha avó disse "ele estranha tudo porque nasceu na água".
Minha sogra disse "passe farinha de tapioca nessas brotoejas".
Meu irmão disse "não deixe ele chupetar o peito na hora de dormir".
Minha cunhada disse "ele está mamando sem ter fome".
Minha amiga disse "coloca a pontinha do supositório na bundinha dele".
Minha vizinha divorciada disse "ele chora demais; dê o peito a ele".
A diarista exemplar disse "se ele não dormir no berço, vai ficar com problema".
A cozinheira desempregada disse "acho lindo neném com chupeta; você devia dar".
O cineasta pernambucano disse "ele está suando muito, coitado".
O balconista tricolor da padaria disse "está muito frio pra ele".
A gordinha no semáforo disse "o sol está quente demais para um bebê".
O taxista disse "você é louca!, meus filhos só saíram de casa depois dos oito meses".
O mendigo da pracinha disse "este horário é ruim pra ele por causa da poluição".
O cabeleireiro careca disse "ele está engordando muito e ficando com papada, ó!".
A tia do interior disse "cuidado na hora do banho porque quem tem pulmão fraco não pode engolir água".
A madame invejosa de Boa Viagem disse "peito muito grande desse jeito é ruim porque afoga o bebê, coitado".
O ator famoso disse "é normal dar umas gotinhas de Luftal pro bebê".
A velhinha de cabelo violeta que estava na fila quando fomos pegar o formulário do batizado disse "segura a cabecinha atrás; cuidado com ele".
Por boa intenção, ignorância ou má-fé, muita gente diz coisas sobre meu filho. Mas ninguém diz o indizível: o instinto materno se encarrega de tudo, pois nossa sintonia tem conexão eterna. Meu bebê passou mais tempo dentro de mim do que fora, me conhece por dentro e se acalma ao som das batidas do meu coração de mãe. E recorro a ele Emoticon heart ao tentar encontrar respostas para as tantas dúvidas que assolam uma mãe de primeira viagem. No fim das contas, dá certo! Emoticon smile

Adivinha o que EU disse? Que estou curtindo muito meu melhor papel. É uma delícia ser mãe e viver o mais puro amor.  

Não perturbe: estou parindo

No século passado, na região do extinto Quilombo do Ambrósio, no triângulo mineiro, existiu uma generosa enfermeira que, como parteira, auxiliou almas nascidas naquele vilarejo; seu nome era Dona Isaura. Assim, na presença dela, mulheres pariram cidadãos aos montes. Décadas depois, quase todos os povoadores da cidade (costureiras, padeiros, delegados, professoras, médicos, policiais, vagabundos etc) tinham sido recebidos pelas mãos daquela senhora, figura ilustre da pequena Ibiá, Minas Gerais, Brazil.
Gerações adiante, uma sobrinha-neta de Dona Isaura, dessas balzacas que engravidam depois dos 35, resolveu ganhar neném numa piscina cheia de água morna, com desenhos de peixes coloridos. Pesquisou: “parto na água” em sites, blogs, textos; “parto normal” em vídeos, fóruns, grupos; “parto natural” em livros, revistas, depoimentos; “parto humanizado” em filmes, artigos, rodas. E, obviamente, chorou rios com "O Renascimento do Parto - O Filme". Essa grávida monotemática e empoderada, sobrinha-neta da saudosa tia Isaura, que resolvera receber seu bebê com doçura e delicadeza, claro, sou eu. E, sob meu olhar, esse é nosso relato de parto humanizado, que foi o que de mais intenso aconteceu em toda minha existência. Todo o amor ao homem mais lindo que já amei (por dentro e por fora); Marcelo (mar+céu), que é meu marido, melhor amigo e maior amante desde 1978.

RECIFE, NOVEMBRO DE 2014
Naquela noite, na sala de bem-estar, depois da sopa de legumes, o casal preparou-se para dar play num filme no DVD. Aí, surpresa: a mulher começou a sentir as benditas contrações. “Se for só isso, beleza”, pensou. Fechava os olhos, respirava fundo, soltava o ar. O filme, no pause. O marido, em alerta. Ah! E continuaram. Gradativamente mais intensas. E mais, e mais.

Horas depois, a solução foi entrar no chuveiro; banho de água quente ajuda. Melhorou um pouco, ufa. Tudo ficou mais forte; inclusive ela própria. Impossível fugir do encontro com sua natureza. Deitou-se para descansar; e veio outra... ah! Obcecada, se viu usando aplicativo de iPhone para tentar registrar a duração e os intervalos das contrações (árdua missão). Madrugada adentro, ligou para sua doula Ludmila Cavalcante, que acalmou: “Brenda, quando for, você vai saber”. Ah bom. Mensagem do Doutor: “São os pródromos, aproveite”. Palavra nova, essa. Ah! Veio outra.

Com custo, dormiu. Sonhou. Delirou. Acordou. Gemeu. Foi uma noite cheia de vida própria: a própria vida e a gerada dentro de si, que, na verdade, seria parte da sua até seus últimos dias.

32 HORAS DEPOIS...
Já na Maternidade Santa Lúcia, pendurado à maçaneta da suíte hospitalar, o aviso “Não perturbe, estou parindo”. No canto mais espaçoso, a piscina (olha a mangueira esguichando). No centro, a cama (tem até alavanca). A bola de pilates (logo eu, que nunca levei jeito pra pilates). O som lá de casa, o abajur meia-luz, as almofadas cheirando à lavanda, o aroma dos óleos relaxantes, a bandeja de guloseimas (com castanha, chocolate, suco)... pronto. Depois de mais de 12 horas ininterruptas de trabalho de parto, de 9 meses de uma jornada inexplicável, de 8 centímetros de dilatação e de 10 anos de um amor que floresce, lá estava eu, com meus medos e vontades, prestes a parir dentro d’água e colocar uma pessoinha no mundo. Pessoinha esta que mudaria a razão da minha existência, diga-se.

Quanto mais difícil ficava o trabalho, mais importante a confiança na equipe. A doula me fazia massagem mágica. O obstetra Doutor Renato Grandi Ramalho (eterna gratidão) me dizia palavras-coragem. A parteira mais que incrível Suzely Aragãosempre ali, só coração. O amor-marido Marcelo me dava beijo na boca para liberar ocitocina... ah! Veio outra. Mais forte que a anterior. Aí me sugeriram vocalizar bem alto, com força, na hora da dor. No início, o fiz com um pouco de vergonha, confesso, me sentindo meio ridícula. Depois, pela sensação amenizadora, adotei como essencial ao bem parir. Ah! Outra. Ondas...

Entrei na piscina como num mergulho sem volta; e era, mesmo. Calor, muito calor. Senti a compressa de água fria na testa... ô beleza de doula. Cadê o chocolate que disseram que tinha? Minha mãe Marizia sempre disse que 'é a pior dor do mundo essa tal dor do parto'; se ela tiver razão, a coisa tende a ficar feia pro meu lado. Sim, porque, até o momento, estava quase suportável. Chegaria num estágio de dor para “cavalo do cão chupando manga”? E lá vem outra... ah! Vem, Raul. Meu filho, vem.

Marcelo colocou “Afrosambas” para tocar: Vinicius de Moraes e Baden-Powell. “Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer”, cantavam... ah! E como doía. O tempo ia passando... e nada. Eu lá, esparramada na piscina, com a barrigona do tamanho do sol, e nada de neném. Parece que, por instantes, me vi fora do meu corpo... mas depois voltei. Acho que estive num universo paralelo, transportada para outra dimensão chamada “partolândia”, onde as coisas não são muito claras. Ou são, não sei.

*EXPULSIVO*
Tá na cara que isso não vai dar certo. Não tem como. Pra quê fui inventar moda?! Já deve passar das 5 da tarde... esse povo todinho aí, e nada. E agora, gente?
Auscultam meu bebê: batimentos fetais perfeitos. Ufa... ah! Lá vem a danada... ah!
-Doutor Renato do céu, não consigo fazer mais força que isso!
Ele, sereno, só ri:
-Não precisa. Faça só a força que sentir vontade. Ele está vindo no tempo dele.
Nossa. Então é isso. É normal. E lindo. Ah!
-Coloque sua mão para tocar a cabecinha do seu filho.
“Ah! É demais pra mim”, penso. Coloco, sinto... é meu filho! E ele, então, “desnasce” pra dentro de mim. Juro: a cabecinha do menino entrou.
-Ah, não! Ele tá entrando- choramingo. Todos riem, meus amigos.
Eu, cansada dessa última fase de vai-não-vai... socorro. Eu sabia que seria assim? Lá vem outra... ah! O bebê sabe nascer. Mas eu vou, mesmo, saber parir? Delírio, tremo. Tia Isaura sussurra no meu ouvido: “Nossa Senhora passa a mão na cabeça”. Água. Quero água, anda logo, porra... ah! Lá vem. Arranho a batata da perna do Marcelo, controlando a vontade de mordê-lo pra arrancar pedaço, estraçalhar o coitado. Está pegando fogo, gente! Puta que pariu, merda... ah! Gente, estou me rasgando todinha; pela metade. Juro. Ah! A maior força do mundo, estou fazendo agora. Olha... ah! Não aguento mais isso. Meu lado-bicho vai me explodir... ah! “Amar é morrer de dor”, cantam, no som. Estéreo, acho. Está vindo outra. Respiro, fundo. De novo. Força! Desliga essa merda de música, Marcelo, vai, anda logo. O som. Porra! Silêncio. Eu respiro. Mas tenho certeza que estou morrendo. Vem, meu filho. Meu menino, serafim. Será fim? Agora. Vem, Raul. Morri. Olha. Saiu. De dentro de mim. O meu filho. Ali, olha a cabeça dele toda pra fora de mim. Parou no ombro, normal. Parou o tempo, aqui. Estou paralisada, olhando pra ele sob a água. Ah! Nasceu meu bebê. Todo, inteiro, com dedinhos magros em cada mãozinha. Nasceu com os olhos bem abertos; recém-nascido curioso, esse meu Raulzinho. Jorrou vida afora, já pronto, com o cordão laçado no pescoço; doutor Renato e parteira Suzely desenrolaram, com delicadeza e segurança. Eu, a mãe, peguei meu bebê no colo e o coloquei junto ao meu coração, cujas batidas, certamente, lhe eram familiares...

Seu cheiro, meu filho... nunca me esquecerei do seu cheiro. Tão bom! Cheiro de deleite doce, meu amor, vérnix e vida. Bem vindo, meu bebê. Conseguimos! Nós conseguimos, filho. Graças a todos nós, juntos, ali renascemos, com mais força e poder. Às 11:13h de uma manhã de sexta-feira que mudou todo o meu viver. E, a partir daí, só nos resta toda a vida pela frente, Raul, meu filho, meu presente.
Houve olhares, lágrimas, sorrisos, silêncio. Lufada de ar no pulmão: dor. Choro. Cantei nossa música; reconheceu de imediato. Suspirou. Chorou o pai, a mãe, o filho... chorou toda a equipe. Afinal, vida, morte e sexualidade tocam fundo no coração da gente. O quarto é inundado por um amor tão visceral que é quase palpável: flutua no ar como um halo que coroa a aura.

-Respire, Brenda. Você está respirando por ele, continue respirando.

Quando para de pulsar, o pai corta o cordão umbilical. Mas o invisível permanece atado, para sempre. Dequita-se a placenta: o sangue marca, no papel Canson, uma árvore da vida. Pontos. Ele, sempre colado à mãe; formamos quase um só. O ambiente é calmo, temperatura agradável, luz amena. Ele mama. Eles amam. E dorme o anjo, contemplado com ternura e silêncio. Que transformação sagrada: do divino ao humano e do humano ao divino em segundos e para sempre, amém. Nada como a bênção perene da suma perfeição. É uma dádiva confiar na vida e desfrutar dessa coisa mágica que é ser mãe. MUITO OBRIGADA!

5 de novembro de 2014

Sangue Azul em Festival de Cinema

Lirio Ferreira apresenta "Sangue Azul" no Festival Janela Internacional de Cinema do Recife
"Sangue Azul", de Lirio Ferreira (prêmios de melhor direção e melhor filme no Festival do Rio 2014) no Cinema São Luiz (Festival Janela Internacional de Cinema do Recife). 
Estreia em 2015 nos cinemas do Brasil inteiro.

Cinema São Luiz (Recife)
Marcelo Pinheiro e Brenda Ligia




Sangue Azul no cinema from Brenda Ligia on Vimeo.

28 de outubro de 2014

Mais "Sangue Azul" nos cinemas

Alô, meu Nordeste! Atenção aos próximos passos do nosso premiado longa-metragem Sangue Azul - O Filme, de Lirio Ferreira/PE (Drama Filmes/SP): será exibido a céu aberto, n'O Pico, nos dias 30/10, 31/10 e 2/11, na ilha de Fernando de Noronha (onde filmamos).

-Dia 02 de novembro (domingo), aqui no Recife, haverá sessão especial de encerramento do Festival Janela Internacional de Cinema do Recife, às 20h, no Cinema São Luiz

-E dia 05 de novembro (quarta-feira), em Salvador, vai passar às 18:40h no Panorama Internacional Coisa de Cinema.

Os atores Brenda Ligia e Daniel de Oliveira em cena do longa-metragem Sangue Azul, de Lirio Ferreira (Drama Filmes)
Só pra lembrar: "Sangue Azul" ganhou prêmio de melhor longa-metragem de ficção no Festival do Rio | Rio International Film Festival 2014, concorrendo com 41 outros longas. O cineasta Lirio Ferreira também foi premiado como melhor diretor. Rômulo Braga ganhou como melhor ator coadjuvante. Já no Paulínia Film Festival, o filme venceu com melhor fotografia e figurino. 

Ou seja, SEN-SA-CIO-NAL! E imperdível. 

(Sangue Azul estreia nos cinemas no primeiro semestre de 2015).

20 de outubro de 2014

Mostra Internacional de Cinema/ São Paulo

Sangue Azul no Adoro Cinema
Aos amigos que ainda não assistiram ao nosso premiado Sangue Azul - O Filme no cinema: vai passar esta semana na 38ª Mostra Internacional de Cinema / São Paulo International Film Festival!  
Dia 21/10, terça-feira, às 21:40h, no Reserva Cultural, e dia 26/10, domingo, às 16:15h, no Espaço Itaú de Cinema do Shopping Frei Caneca.

Aos amigos do Recife, o filme será exibido no encerramento do festival Janela Internacional de Cinema do Recife, no dia 2 de novembro, domingo, às 19h30h, no elegante e tradicional Cinema São Luiz

Vamos nessa? 


19 de outubro de 2014

Prêmio Esso de Jornalismo

Há algum tempo, tive a honra de participar do projeto "A História de Mim", de uma das minhas jornalistas favoritas, Fabiana Moraes. Foi um lindo trabalho! Acabei de saber que está concorrendo ao Prêmio Esso de Jornalismo, o mais importante do país. Foram avaliados mais de mil trabalhos, restando apenas 35 finalistas. Os vencedores serão conhecidos dia 15 de novembro. 

Ah, e o projeto também tem uma exposição no Museu Mamam de Recife até o começo de novembro.   
Imperdível! Fabiana brilhando no Jornal do Commercio!

Brenda Ligia em A História de Mim
Concorrendo ao Prêmio Esso de Jornalismo (Fabiana Moraes/ JC)
 

9 de outubro de 2014

Prêmio de melhor filme para Sangue Azul (Festival do Rio)

Cineasta Lírio Ferreira e atriz Brenda Ligia
em Fernando de Noronha (Sangue Azul)
Ontem à noite, no Rio de Janeiro, nosso "Sangue Azul - O Filme" ganhou o prêmio de melhor longa-metragem de ficção no Festival do Rio | Rio International Film Festival (concorrendo com 41 outros longas)! O cineasta Lirio Ferreira também foi premiado como melhor diretor. De fato, todas as vezes em que tive o privilégio de ser dirigida pelo talentoso pernambucano, criou-se uma atmosfera mágica onde a criatividade reinava. O homem trabalha com aquele brilho nos olhos de criança quando abre um brinquedo pela primeira vez. Ele vibra (ou sofre) junto com a gente! É um artista que consegue extrair o melhor de cada ator, pois sabe exatamente o que quer de cada cena (ou finge saber muito bem! hehehe), agregando ao fluxo imprevisível do processo criativo. Isso é lindo e raro!



Sangue Azul no Festival do Rio
Lirio Ferreira, vulgo "Gatito", um cineasta sensível e aberto ao teatro do acaso, permite que seu talento instintivo comande o elo ator-diretor. É rico, único e gratificante! Quem viveu, sabe como é... amor à arte e à vida. 


Gatito, parabéns! Muito amor pra você! Muito obrigada! "Jandira" foi um personagem inesquecível que você me deu de presente para batizar Fernando de Noronha com nosso "Sangue Azul". Aprendi muito com você e com sua trupe de primeira linha... experiência única! 


PS.1: Sangue Azul, que também levou prêmios no Paulínia Film Festival, será exibido em breve, no festival Janela Internacional de Cinema do Recife. Por enquanto, segue sem data de estreia nacional. Também estou louca pra assistir! Parabéns, também, pro Rômulo Braga, que ontem ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante. 


PS.2: Abaixo, trechos de um episódio da série de televisão "Somos Um Só" (Tv Cultura), sob direção de Lírio Ferreira. Com: Brenda Ligia, Xico Sá, Mário Bortolotto, José Mojica Marins Zé Do Caixão, Lirinha, Halley Maroja e grande elenco.

8 de outubro de 2014

Amor incondicional

Brenda e Raul (#34 semanas). Foto: Edson Kumasaka. Maquiagem: Sabrina Simões
Nem o sol nascendo na praia dos Carneiros, nem o sonho bom do sono de conchinha com o amado, nem o escuro do cinema com a música que emociona. Nem a galinhada que minha vó fazia, nem o passeio inesquecível aos jardins italianos do Lago Maggiore, nem a hora da descida no barco Viking, nem as crises de riso incontrolável na calada da noite. Nada disso, nem tudo isso, pode ser comparado à felicidade de olhar o resultado do exame “ecocardiografia fetal com mapeamento de fluxo em cores” e ver que o neném está perfeitamente saudável! De repente, isso é tudo o que me importa na vida.

Pode sugar todo o cálcio dos meus dentes. Botar peso na minha bacia. Ocupar todo o espaço interno, me deixar cheia de azia. Quando ele se mexe, nadando brincalhão aqui, me derreto e o amor transcende. Raul, que me conhece por dentro, mesmo depois de sair, irei carregá-lo pra sempre no coração. Isso é amor incondicional.

Em breve, eu e seu pai voltaremos pra casa pra esperar você ficar pronto pra vir à luz... meu filho pernambucano, com muito orgulho.

4 de outubro de 2014

Deus

São Paulo
O táxi estava parado no ponto. Pedi pra me deixar na Juscelino.
-Pra quando é?
-Ué, agora.
-Não, o bebê.
-Ah, novembro.
Riso amarelo via retrovisor.
-Eu também tenho 3 meninas. Mas tô separado delas. Aprontei com a minha mulher, sabe, moça? Eu mexia com coisa errada...
Por algum motivo que até agora não consigo desvendar, o taxista resolveu desabafar comigo. Em menos de alguns quarteirões, incluindo o trânsito do rush, me contou que aplicava golpes em caixas eletrônicos. É... isso mesmo.
Falando em banco, eu, no de trás, procurava transparecer serenidade diante da revelação.
Av. Europa parada, imagina. Ele disse que um dia foi pra quadra curtir com os trutas e traiu a esposa com uma prima. Aí foram pro hotel e passaram a noite no “rá-tá-tá”.
-Quando o dia tava clareando, me vi naquela situação. Pensei na minha família, me ajoelhei e pedi a Deus pra me salvar. Eu não aguentava mais! E ele falou comigo, sabe? Eu senti, moça, te juro pra você.
Concordei com a cabeça; “é... tava doidão”.
-Mas eu ainda tinha um corre pra fazer de manhã com os camaradas. Era pra ser o último. E cê acredita que nós rodamos?!
Eu, passageira sonsa, achando tudo su-per nor-mal.
Contou que ficou mais de 1 ano preso. A mulher só foi visitá-lo uma vez. As filhas, nenhuma. “Porque cadeia não é lugar de criança”. Na cela, fez vários amigos firmeza. Ficar trancado foi até bom pra largar o crack, porque estava desandado. E foi lá dentro que recebeu a bênção e Deus tocou seu coração: foi curado pelo Pai. Emocionado, enxugou os olhos por trás dos óculos de grau.
-Aprendi a roubar por causa da televisão, vendo o Lucas da novela Top Model, lembra? Pena que perdi minha família por causa disso... olha ali, que da hora!
De repente, viu um prédio comercial, na Faria Lima, todo espelhado e moderno. Achou lindo; pegou o celular e tirou 3 fotos. “Vou mandar pra ela, pelo whatsapp”. Ah, tá.
Ufa, chegamos. Parou o carro. Confusa, dei 30 reais.
-Moça, posso te fazer uma pergunta pra você?
Ai, ai, ai... gelei. Mas manda, vai. Ele quis saber se, quando eu rezava pra pedir alguma coisa pra Deus, conseguia ouvir a resposta dos céus.
-Olha, pra ser sincera, moço, ultimamente não tenho pedido nada pra Deus, não. Somente agradeço, todos os dias. E muito obrigada... fica com Deus.
Sorri e bati a porta tão forte que quase não deu pra ouvir quando ele respondeu “amém”. Foi sem querer.

2 de outubro de 2014

Libertem Angela Davis

Libertem Angela Davis
Saí do cinema extasiada com o primoroso documentário “Libertem Angela Davis”, que teve estreia hoje. Que mulher! Que força! Que mito! Poder para fazer História e combater o sistema, lutando pela liberdade dos oprimidos. Símbolo de resistência contra o racismo, o machismo, a injustiça social... que belo exemplo de amor, luta e revolução política!
O filme é lindamente arranjado, bem montado, ilustrado, musicado... super envolvente. Me fez lembrar que as dores da vida podem nos derrubar ou fortalecer; a escolha está dentro de cada um de nós. E é possível sentir-se livre mesmo estando confinada a algo, pois o conhecimento é o poder capaz de mudar o mundo... PODER PARA O POVO!
Assistam... “Libertem Angela Davis”!
http://youtu.be/Yp9StQhWGdc (música para ela, feita por John Lennon) 

Reta final do trabalho

Estamos na primeira reta final de trabalho... agradeço a cada um desta equipe de primeira com quem tive o prazer de conviver ao longo dos últimos meses. Obrigada, meus caros! Até a próxima.
Brenda Ligia em gravação no estúdio

Equipe D14 Filmes / SP