(link: http://www.youtube.com/watch?v=kTC2EGcL0ug)
Brenda Ligia-Cinema,TV,Teatro
- Brenda Ligia
- Brenda Ligia, atriz, atuou em 17 longas, 13 séries de TV e 10 espetáculos teatrais. Também é mestre de cerimônias, apresentadora, diretora e locutora trilíngue; fala inglês fluentemente e francês. 6 prêmios nacionais e internacionais de Melhor Atriz e Melhor Direcão. No CINEMA, atua em Lusco-Fusco, Amadeo, Cerrates Robin Hoods, Meu último desejo, Lispectorante, Cidade;Campo, Amado, Sangue Azul, Onde Quer Que Você Esteja, Todas as cores da noite, Bruna Surfistinha, Flores do Cárcere, As melhores coisas do mundo, Bom dia, eternidade, Dente por dente, Contra a parede. Na TELEVISÃO, atua na série Na Batalha (estreia em breve). Na TV Globo, atuou nas séries Sob Pressão, Assédio e na comédia A mulher do prefeito. Na HBO Max, está no k-drama Além do Guarda-roupa. Protagonizou episódio da série História de Preta. Participou das séries África da Sorte, Hard, Beleza S/A, Ninguém tá olhando, Somos um só, 9mmSP. É apresentadora da série Gol de Letra (estreia em breve). Contato: brenda.ligia@hotmail.com
23 de junho de 2010
Depois da tempestade
Aqui em Recife, na praia de Boa Viagem, hoje...
(em época de Copa do Mundo, todo mundo vê tv).
(link: http://www.youtube.com/watch?v=kTC2EGcL0ug)
(link: http://www.youtube.com/watch?v=kTC2EGcL0ug)
21 de junho de 2010
Momento de Relaxamento
Um renomado (e gente da melhor qualidade) músico pernambucano chega ao salão de um shopping no Recife com o intuito de aparar suas madeixas encaracoladas. Com horário marcado por sua elegante esposa, entra e senta ao lavatório para desaguar sua ressaca cansada de sábado cedo.
Em meio a tititi feminino de cunho aleatório, perguntam-lhe se gostaria de fazer um relaxamento. Ora... claro! Topa. Inclina-se, ansioso, aguardando o relaxamento vindouro. Lavam. Penteiam. Esticam. Enxáguam. E ele lá, menos relaxado do que gostaria, mais tenso do que deveria. O efeito calmante da água aliado ao tempo de ação do produto finalmente o fazem relaxar. Zzzzz... pronto!
Anunciam o fim do relaxamento. Endireitando a postura, ele sente arrepio na espinha dorsal ao ver o risinho leve da esposa que observa, já de pé, o despertar de seu cochilo brando. Pressente um desconforto tenso, evita olhar-se no espelho, e paga os (absurdos!) cem reais que lhe cobram pelo serviço.
Inevitavelmente, olha-se no espelho e assusta-se com seu próprio susto. Ele, cabra-macho pernambucano, fora transformado num EMO, em véspera de show de abertura do São João no Recife. O desespero brota em sua alma e transcende os limites de sua expressão facial, fazendo sua mulher irromper em risos. Ele afasta a franja lisa-lambida de sua testa e mentaliza xingamentos de toda sorte.
-Me fala por que você resolveu fazer um relaxamento - ela quer saber.
-Não quero falar disso, agora - esquiva-se, murcho. Liso. Lambido. Envergonhado. Tudo, menos relaxado. Aliás, nada conseguira deixá-lo tão nervoso quanto aquele relaxamento.
2 de junho de 2010
O sapateiro
Estou envolvida até o talo com os preparativos pré-viagem. Ando com uma lista de missões burocráticas a resolver (inclui até mesmo uma visita à Caixa Econômica Federal, imagine!). Hoje, porém, respirei fundo ao ler aquele item específico: "ir ao sapateiro". Ah, pronto!
Era sabido que o sapateiro me detestava, e eu também o detestava de volta. Quantas vezes saí bufando da sapataria, porque ele fora mal-criado! Dizia que ia procurar outra sapataria e ele recusava meus sapatos. Prometi não voltar naquele muquifo, no entanto, era esse o item da minha lista burocrática, de modo que lá fui eu, rumo à sapataria como quem caminha pra forca.
Ao avistar-me, bufou. Também bufei. Rosnou. Eu também. Realmente: eu e o sapateiro não vamos um com a cara do outro! Faíscas no ar: viramos personagens de bang bang no velho oeste norte-americano... cruz credo!
Eu disse que ia viajar dentro de 2 dias, então precisava de certa pressa (querendo dizer que eu o achava extremamente preguiçoso e ficava enojada com sua má vontade para com o trabalho, os clientes, a vida). Ele disse que já tinha "aquilo tudo de sapato pra consertar antes do feriado, ó!", mostrando a pilha de calçados (querendo dizer que me achava folgada pra caramba e que ficava puto da vida com minha falta de respeito para com o trabalho, os mais velhos, a vida).
No controle comercial, ele deu a sentença: o preço superfaturado cobrado pelo serviço indesejado. Revirei os olhos e pensei na minha viagem. Respirei fundo e abri a bolsa. Olhei, pela primeira vez na vida, dentro dos olhos daquele senhor, o sapateiro, e abri a carteira e o coração. "Fique com o troco; caixinha pro senhor". Ele, então, me surpreendeu. Fez algo que eu pensava que não fosse capaz: sorriu pra mim, pro trabalho, pro dinheiro e pra vida.
Pronto: um item a menos na minha lista. Ao lado de "ir ao sapateiro", acrescentei "José Silva", seu nome, e um sorriso sem carrancas.
Ao avistar-me, bufou. Também bufei. Rosnou. Eu também. Realmente: eu e o sapateiro não vamos um com a cara do outro! Faíscas no ar: viramos personagens de bang bang no velho oeste norte-americano... cruz credo!
Eu disse que ia viajar dentro de 2 dias, então precisava de certa pressa (querendo dizer que eu o achava extremamente preguiçoso e ficava enojada com sua má vontade para com o trabalho, os clientes, a vida). Ele disse que já tinha "aquilo tudo de sapato pra consertar antes do feriado, ó!", mostrando a pilha de calçados (querendo dizer que me achava folgada pra caramba e que ficava puto da vida com minha falta de respeito para com o trabalho, os mais velhos, a vida).
No controle comercial, ele deu a sentença: o preço superfaturado cobrado pelo serviço indesejado. Revirei os olhos e pensei na minha viagem. Respirei fundo e abri a bolsa. Olhei, pela primeira vez na vida, dentro dos olhos daquele senhor, o sapateiro, e abri a carteira e o coração. "Fique com o troco; caixinha pro senhor". Ele, então, me surpreendeu. Fez algo que eu pensava que não fosse capaz: sorriu pra mim, pro trabalho, pro dinheiro e pra vida.
Pronto: um item a menos na minha lista. Ao lado de "ir ao sapateiro", acrescentei "José Silva", seu nome, e um sorriso sem carrancas.
26 de maio de 2010
Deborah Secco
"Deborah Secco é clicada resolvendo coisas do dia a dia" - essa é a manchete de ontem, num site popular que fracassa piamente ao tentar abordar a rotina da celebridade-delícia.
Além do conteúdo NULO da "notícia" do site Terra (francamente...), o desserviço prestado ainda nos brinda com um erro de português dos mais grotescos: sob a foto, a legenda dedura o amadorismo jornalístico. "Deborah passou na academia e REVEU amigos".
Além do conteúdo NULO da "notícia" do site Terra (francamente...), o desserviço prestado ainda nos brinda com um erro de português dos mais grotescos: sob a foto, a legenda dedura o amadorismo jornalístico. "Deborah passou na academia e REVEU amigos".

(Como assim, gente, REVEU!) - copiei e colei o absurdo logo acima para que meu post não perca a ilustração, caso alguém do site Terra se preste a corrigir a cagada de conjugação verbal. Ui, vergonha alheia!
Pra fechar com chave de ouro, o infeliz (ir)responsável por aquele texto medíocre encerra a palhaçada com a seguinte revelação: "a atriz foi a um aniversário e, antes de ir embora, despediu-se das amigas".
Ora vejam, que exótica essa Deborah Secco! Que ousada, pois despediu-se das amigas! E o mais surreal: o fez ANTES de ir embora da festa de aniversário! Tô bege... ou melhor, AFRO-bege.
*Acima, foto com Dedé amiga-estrela, que veio a São Paulo esse fim de semana para rever os amigos de trabalho (saudade!).
*Quem a conhece sabe o quanto é especial, linda por fora e MA-RA-VI-LHO-SA POR DENTRO.
*Em breve, a amada moçoila donzela estreia peça de teatro em Recife. OBA, claro que vou prestigiar.
*Em breve, a amada moçoila donzela estreia peça de teatro em Recife. OBA, claro que vou prestigiar.
PS.: Vou mandar meu currículo (de comunicadora) pro Terra, oferecendo elaborados textos nos seguintes moldes (exemplo):
Em SP, Deborah Secco reencontrou amigos de filmagem. Tomou 1.200ml de Coca Zero com gelo e piscou os olhos um tanto de vezes para lubrificá-los. Como de costume, despediu-se de todos antes de partir. Na saída, a atriz espirrou. Alguém disse "saúde" e ela respondeu "obrigada". Fonte: confiável. Aff!
Amo teatro!
Pra quem não foi ao teatro assistir minha peça, segue uma palhinha.
Link do video: http://www.youtube.com/watch?v=nXD0lU61E1c
Link do video: http://www.youtube.com/watch?v=nXD0lU61E1c
21 de maio de 2010
Quando o alívio vira vergonha
Numa manhã de sexta-feira chuvosa, a saltitante moçoila (que NÃO se chamava Brenda Ligia, obviamente, pois trata-se de uma estória fictícia) resolveu dar uma recauchutada no visual, num salão de cabeleireiros qualquer. Nos cabelos, tonalizante castanho escuro; nas cutículas, uma camada de Toque de Ira com Santa Gula; na alma, a vontade de embonecar-se toda.
Ali sentada na cadeira de beleza, com um profissional a seus pés e outro à cabeça, a moça sentiu, de repente, um arrepio da cabeça aos pés. Não era beliscão no bife do dedão nem fisgão no couro cabeludo: era vontade de fazer coco. "Pronto, só faltava essa", pensou a cliente.
-Emerson, preciso ir ao toalete - cochichou ao cabeleireiro, pois este estava mais próximo do orifício pelo qual se cochicha, em relação à manicure.
Foi ao banheiro, então. Forrou. ALÍVIO! Pensou. Se tem algo que as mulheres invejam nos homens (generalizando, é claro) é a capacidade que eles tem de deixar o intestino livre, leve e solto para funcionar normalmente, mesmo quando estão viajando, com a vida desregrada, em ambiente desconhecido... a mulherada trava por dias; a homarada nem tchum!
Por isso ela se encontrava ali, reflexiva e solitária naquele troninho de porcelanato azul bebê, num salão de beleza xis. Esperara três dias por aquele momento profundo, de resgate. Sentia-se íntegra, límpida, leve, solta... sorriu. Limpou. Olhou. Deu descarga. Olhou.
Deu descarga... deu descarga. Olhou. E deu descarga.
Que merda!!! Amaldiçoou todas as descargas molengas e insossas da face da Terra, que só fazem o redemoinho girar e não cumprem seu papel em relação à carga. Nada ecológicas, gastam água à tôa e não resolvem bosta nenhuma.
Olhou. Deu descarga. Olhou. Suspirou, lavando as mãos. Abriu a porta e viu manicure e cabeleireiro a postos, em inércia. Hesitou. Chamou com a mão esquerda enquanto a direita dava descarga. Tudo girava lá dentro. Pediu um balde e fez questão de fazer o serviço sujo, enquanto pensava no alívio que virou vergonha.
Ali sentada na cadeira de beleza, com um profissional a seus pés e outro à cabeça, a moça sentiu, de repente, um arrepio da cabeça aos pés. Não era beliscão no bife do dedão nem fisgão no couro cabeludo: era vontade de fazer coco. "Pronto, só faltava essa", pensou a cliente.
-Emerson, preciso ir ao toalete - cochichou ao cabeleireiro, pois este estava mais próximo do orifício pelo qual se cochicha, em relação à manicure.
Foi ao banheiro, então. Forrou. ALÍVIO! Pensou. Se tem algo que as mulheres invejam nos homens (generalizando, é claro) é a capacidade que eles tem de deixar o intestino livre, leve e solto para funcionar normalmente, mesmo quando estão viajando, com a vida desregrada, em ambiente desconhecido... a mulherada trava por dias; a homarada nem tchum!
Por isso ela se encontrava ali, reflexiva e solitária naquele troninho de porcelanato azul bebê, num salão de beleza xis. Esperara três dias por aquele momento profundo, de resgate. Sentia-se íntegra, límpida, leve, solta... sorriu. Limpou. Olhou. Deu descarga. Olhou.
Deu descarga... deu descarga. Olhou. E deu descarga.
Que merda!!! Amaldiçoou todas as descargas molengas e insossas da face da Terra, que só fazem o redemoinho girar e não cumprem seu papel em relação à carga. Nada ecológicas, gastam água à tôa e não resolvem bosta nenhuma.
Olhou. Deu descarga. Olhou. Suspirou, lavando as mãos. Abriu a porta e viu manicure e cabeleireiro a postos, em inércia. Hesitou. Chamou com a mão esquerda enquanto a direita dava descarga. Tudo girava lá dentro. Pediu um balde e fez questão de fazer o serviço sujo, enquanto pensava no alívio que virou vergonha.
18 de maio de 2010
Marcos Cesana (1966 - 2010)
"Nossa vida é como uma comédia:
ninguém repara se foi longa, e sim se foi bem representada." Sêneca

Marcos Cesana e Brenda Ligia, na Praça Roosevelt, direto do túnel do tempo...
ninguém repara se foi longa, e sim se foi bem representada." Sêneca

Marcos Cesana e Brenda Ligia, na Praça Roosevelt, direto do túnel do tempo...
"Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
(...)
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Dura caminhada
Pela estrada escura...
(...)
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
(...)
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão"
MARCOS CESANA - click para ver o quadro "CESANA RESPONDE", brincadeira do amigo diretor da série 9mm - LINK http://michaelruman.com/blog/?p=270
(CESANA DESCANSA EM PAZ E DEIXA SAUDADE)
(CESANA DESCANSA EM PAZ E DEIXA SAUDADE)
13 de maio de 2010
13 de maio
Hora do recreio: toca o sinal e todas as crianças saem correndo pra brincar lá fora. Faixa etária: 4 aninhos. Na aglomeração, a líder das meninas (sempre tem uma) cisma, subitamente, ao mirar uma criança específica: "você não pode brincar com a gente porque é preta". Pronto, estava dada a sentença. E a criança era eu, indiscutivelmente preta. A única da classe.
Em casa, não contei pra mamãe nem pro papai. Tinha vergonha de ser preta e não poder brincar. Sentia que tinha alguma coisa errada, mas não sabia que esse monstro tinha um nome tão sisudo: racismo. Algo que aquelas pobres crianças aprenderam em casa, com os valores deploráveis de seus pais ignorantes.

Eu aos 4 anos, com botas ortopédicas e pernas tortas. Ao fundo, no trepa-trepa, meu irmão Arthur Eustáquio.
10 anos depois... direto do túnel do tempo...
Numa bela tarde de domingo, pós-almoço familiar com macarrão e frango assado, nos assentamos na sala do apartamento da Cerro Corá para assistir ao pôr-do-sol da cidade de São Paulo, no início dos anos 90. Foi então que o assunto racismo veio à tona e revelei aquilo que me acontecia na escolinha Carrossel no início dos anos 80. Como quem solta um grito da garganta, despejei meu infortúnio de menina. Chorei minhas mágoas e minha revolta, falei como se não houvesse amanhã, querendo culpar tudo e todos pelas injustiças desse mundo hipócrita... até que meu pai interrompeu. Negão de olhos verdes, fitou-me com serenidade e sabedoria. E disse algo que levarei pra sempre, ao longo do caminho.
"Brenda, trabalhe". Só isso.
E é o que vemos nele; alguém que nunca ficou parado reclamando das coisas. Sempre deu duro, trabalhou muito e hoje colhe o que plantou. Se está certo ou errado, não cabe a ninguém julgar. O que sei é que meu pai, pra mim, é um exemplo de vida. Um grande homem e modelo a ser seguido. Tenho orgulho imenso de ser a filha desse homem notavelmente íntegro e batalhador. Devo a ele muito do que sou... sua filosofia é: "as pessoas podem duvidar do que você diz, mas nunca do que você faz". Obrigada, pai. Por ontem, hoje (13 de maio) e sempre. Amo você.
E já que eu adoro imagem em movimento, aqui um video da última vez que estive com meu pai http://www.youtube.com/watch?v=dBOcDbzly7A em setembro do ano passado. Claro que ele só aparece no final, porque é discreto que só!
Hoje papai está no Chile, e amanhã desembarca no Brasil para nos visitar! Faremos uma viagem de van rumo a Minas Gerais, onde toda a família (vovô!) nos aguarda. A festa será tremenda, e o tempo, certamente curto demais pra matar tanta saudade. E haja coração. Fim de semana na minha terra, uai, com meu pai, irmãos, sobrinhos, tios, primos... ô trem mai bão, sô!
ANSIOSA E FELIZ pelo fim de semana vindouro... amém!
Em casa, não contei pra mamãe nem pro papai. Tinha vergonha de ser preta e não poder brincar. Sentia que tinha alguma coisa errada, mas não sabia que esse monstro tinha um nome tão sisudo: racismo. Algo que aquelas pobres crianças aprenderam em casa, com os valores deploráveis de seus pais ignorantes.

Eu aos 4 anos, com botas ortopédicas e pernas tortas. Ao fundo, no trepa-trepa, meu irmão Arthur Eustáquio.
10 anos depois... direto do túnel do tempo...
Numa bela tarde de domingo, pós-almoço familiar com macarrão e frango assado, nos assentamos na sala do apartamento da Cerro Corá para assistir ao pôr-do-sol da cidade de São Paulo, no início dos anos 90. Foi então que o assunto racismo veio à tona e revelei aquilo que me acontecia na escolinha Carrossel no início dos anos 80. Como quem solta um grito da garganta, despejei meu infortúnio de menina. Chorei minhas mágoas e minha revolta, falei como se não houvesse amanhã, querendo culpar tudo e todos pelas injustiças desse mundo hipócrita... até que meu pai interrompeu. Negão de olhos verdes, fitou-me com serenidade e sabedoria. E disse algo que levarei pra sempre, ao longo do caminho.
"Brenda, trabalhe". Só isso.
E é o que vemos nele; alguém que nunca ficou parado reclamando das coisas. Sempre deu duro, trabalhou muito e hoje colhe o que plantou. Se está certo ou errado, não cabe a ninguém julgar. O que sei é que meu pai, pra mim, é um exemplo de vida. Um grande homem e modelo a ser seguido. Tenho orgulho imenso de ser a filha desse homem notavelmente íntegro e batalhador. Devo a ele muito do que sou... sua filosofia é: "as pessoas podem duvidar do que você diz, mas nunca do que você faz". Obrigada, pai. Por ontem, hoje (13 de maio) e sempre. Amo você.
E já que eu adoro imagem em movimento, aqui um video da última vez que estive com meu pai http://www.youtube.com/watch?v=dBOcDbzly7A em setembro do ano passado. Claro que ele só aparece no final, porque é discreto que só!
Hoje papai está no Chile, e amanhã desembarca no Brasil para nos visitar! Faremos uma viagem de van rumo a Minas Gerais, onde toda a família (vovô!) nos aguarda. A festa será tremenda, e o tempo, certamente curto demais pra matar tanta saudade. E haja coração. Fim de semana na minha terra, uai, com meu pai, irmãos, sobrinhos, tios, primos... ô trem mai bão, sô!
ANSIOSA E FELIZ pelo fim de semana vindouro... amém!
PAI E FILHA, necessariamente nesta ordem.
11 de maio de 2010
Um gostinho de vitória
Ah, finalmente começo a achar que as coisas podem, sim, funcionar nesse nosso Brasil. Não que eu seja alguma espécie de cientista política ou algo do gênero; nem sou muito interada no assunto (sou a mais politizada das alienadas, e a mais alienada das politizadas). De qualquer forma, é fato que senti um comichão de alegria ao saber que o Ficha Limpa foi aprovado pelos deputados, sem que as emendas absurdas (que descaracterizavam o espírito da coisa) fossem aprovadas. Uma vitória pro povo brasileiro! E viva a democracia!
VÍDEO DA CAMPANHA FICHA LIMPA http://www.youtube.com/watch?v=Irs8X_h6REg&feature=player_embedded
Em breve, se tudo der certo, o Brasil não mais dará cargos políticos a pessoas condenadas por homicídio, estupro, tráfico de drogas, racismo, desvio de verbas públicas, formação de quadrilha, compra de votos... por pelo menos 8 anos.
10 de maio de 2010
Aleluia!
Nesse final de semana fiz duas coisas que há muito não fazia: a primeira delas, ir à missa. Fui e achei a igreja católica animada, alegre, cheia de música e cristãos fervorosos. Os telões da paróquia mostravam as letras das canções, pro povo cantar junto. Adorei: cantei. Até fechei os olhos na hora da "Aleluia".
A outra coisa que fiz foi batizar meu sobrinho amado: o bebê Paulo Henrique, fofo da titia-dindinha. O ritual do batismo envolve algumas etapas: o óleo no peitinho da criança, para blindá-la dos perigos e pecados; a água na cabecinha, para purificação; e a vela, cuja luz ilumina seu caminho pela vida inteira.

Embora eu já tenha uma afilhadinha, não me lembrava de muita coisa do rito do batismo. A gente se dá conta de como o tempo passa rápido quando marca um encontro com a afilhada no metrô e ela aparece pra te buscar DE CARRO. Sim, ela veio dirigindo e eu fiquei abestalhada. Aquela coisinha miúda cuja cabecinha inclinei sobre a pia batismal, em meados de 1992, tem a pachorra de dar uma buzinadinha e gritar "DINDINHAAA!" pela janela do carro. "Mas já... 18 anos!" - pensei e disse. Ela só riu o sorriso largo. Seu nome: Dayana Lóren (nome duplo é o que liga, ahá!), anjinho que parou de fumar há alguns meses. É.
Quando batizei a Dadá, eu era aborrescente e tinha cabelo black power. Naquela época era só chegar e batizar. Hoje em dia não; precisa fazer um curso de batismo, com 3 horas de duração, cujo certificado tem validade de um ano. Nós padrinhos somos lembrados de como devemos orientar a criança para a vida cristã. Então, Dayana, perdão: a dindinha falhou com você.

Minha mente voava pelo passado quando o ministro de batismo falou que os padrinhos deveriam ser responsáveis pela educação da criança pela vida inteira. Meu irmão então cochichou: "É isso aí, o padre quer dizer que você vai ter que pagar todos os boletos pra educação dele, até a faculdade!". Rimos, eu e meu irmão-agora-compadre.
Depois da cerimônia fomos comemorar o dia das 4 mães presentes, em clima gostoso de família feliz.
A outra coisa que fiz foi batizar meu sobrinho amado: o bebê Paulo Henrique, fofo da titia-dindinha. O ritual do batismo envolve algumas etapas: o óleo no peitinho da criança, para blindá-la dos perigos e pecados; a água na cabecinha, para purificação; e a vela, cuja luz ilumina seu caminho pela vida inteira.
Embora eu já tenha uma afilhadinha, não me lembrava de muita coisa do rito do batismo. A gente se dá conta de como o tempo passa rápido quando marca um encontro com a afilhada no metrô e ela aparece pra te buscar DE CARRO. Sim, ela veio dirigindo e eu fiquei abestalhada. Aquela coisinha miúda cuja cabecinha inclinei sobre a pia batismal, em meados de 1992, tem a pachorra de dar uma buzinadinha e gritar "DINDINHAAA!" pela janela do carro. "Mas já... 18 anos!" - pensei e disse. Ela só riu o sorriso largo. Seu nome: Dayana Lóren (nome duplo é o que liga, ahá!), anjinho que parou de fumar há alguns meses. É.
Quando batizei a Dadá, eu era aborrescente e tinha cabelo black power. Naquela época era só chegar e batizar. Hoje em dia não; precisa fazer um curso de batismo, com 3 horas de duração, cujo certificado tem validade de um ano. Nós padrinhos somos lembrados de como devemos orientar a criança para a vida cristã. Então, Dayana, perdão: a dindinha falhou com você.
Minha mente voava pelo passado quando o ministro de batismo falou que os padrinhos deveriam ser responsáveis pela educação da criança pela vida inteira. Meu irmão então cochichou: "É isso aí, o padre quer dizer que você vai ter que pagar todos os boletos pra educação dele, até a faculdade!". Rimos, eu e meu irmão-agora-compadre.
Depois da cerimônia fomos comemorar o dia das 4 mães presentes, em clima gostoso de família feliz.
3 de maio de 2010
30 de abril de 2010
29 de abril de 2010
Tudo pode dar certo
Aqui no Brasil decidiram que o título do último filme do Woody Allen seria o mesmo desse post. Porém, traduzido ao pé da letra, "Whatever works" ficaria "O que quer que funcione", ou sejA, tem sentidos bem diferentes.
Mas pouco importa, pois ontem fiquei extasiada com o espetáculo cinematográfico ao qual fui submetida num cinema da Paulista. O filme é sensacional, fantástico, incrível, maravilhoso, magnífico, inteligente, engraçado, grandioso, divertido, imbatível E delicioso.
Recomendo imensamente; OBRA-PRIMA do Woody Allen, nos cinemas perto (ou longe) de você.
PS.: O bichão Woody Allen deve ter ficado fulo da vida quando assistiu a todas aquelas cenas nas quais o boom aparece (o microfone suspenso, sabe). Não é possível que tantos profissionais do cinema tenham deixado passar tudo aquilo! Não compromete, afinal, o FILME É SENSACIONAL. O chato é que quando aparece o boom flutuando nos extremos da tela, a gente se lembra, de fato, que está num cinema. Então os olhos não conseguem mais se desgrudar daquele cisto, até que suma por completo.
Mas pouco importa, pois ontem fiquei extasiada com o espetáculo cinematográfico ao qual fui submetida num cinema da Paulista. O filme é sensacional, fantástico, incrível, maravilhoso, magnífico, inteligente, engraçado, grandioso, divertido, imbatível E delicioso.
Recomendo imensamente; OBRA-PRIMA do Woody Allen, nos cinemas perto (ou longe) de você.
PS.: O bichão Woody Allen deve ter ficado fulo da vida quando assistiu a todas aquelas cenas nas quais o boom aparece (o microfone suspenso, sabe). Não é possível que tantos profissionais do cinema tenham deixado passar tudo aquilo! Não compromete, afinal, o FILME É SENSACIONAL. O chato é que quando aparece o boom flutuando nos extremos da tela, a gente se lembra, de fato, que está num cinema. Então os olhos não conseguem mais se desgrudar daquele cisto, até que suma por completo.
Mas gente, peraí... o ser humano já chegou até a lua... então como é que não consegue, via computador, apagar o microfone que aparece no filme do Sr. Allen através da tecnologia (interroga)
27 de abril de 2010
Seje, esteje...
Ah! Meus ouvidos ouvem de tudo um pouco, mas "seje" e "esteje" realmente incomodam bastante. Basta!
MENAS a gente tolera. PRA MIM FAZER também. TINHA CHEGO, ok... mas SEJE e ESTEJE representam algo além: a morte do subjuntivo (supostamente aprendido na escola).
Aposto que se o Maneco (de Viver a Vida) resolvesse lançar uma campanha subjuntivista pró-"SEJA & ESTEJA", bastariam 2 ou 3 capítulos da novela nobre para (grande parcela d)o povo brasileiro parar de cometer esse feioso erro em nossa língua mãe. Já imagino esse "merchan linguístico" na boca da monstra da tevê Lília Cabral... ah!
A.U. (adendo urgente)- cena HILÁRIA da Lília Cabral fumando maconha
MENAS a gente tolera. PRA MIM FAZER também. TINHA CHEGO, ok... mas SEJE e ESTEJE representam algo além: a morte do subjuntivo (supostamente aprendido na escola).
Aposto que se o Maneco (de Viver a Vida) resolvesse lançar uma campanha subjuntivista pró-"SEJA & ESTEJA", bastariam 2 ou 3 capítulos da novela nobre para (grande parcela d)o povo brasileiro parar de cometer esse feioso erro em nossa língua mãe. Já imagino esse "merchan linguístico" na boca da monstra da tevê Lília Cabral... ah!
A.U. (adendo urgente)- cena HILÁRIA da Lília Cabral fumando maconha
Concluindo: se o problema fosse dinheiro (pra executar tal ação, na Globo ou onde quer que sejA!), talvez o Ministério da Educação pudesse até liberar algum... afinal, fica clara uma falha grotesca no sistema de ensino fundamental brasileiro. Se a maioria da população fala errado, é porque não aprendeu direito na escola. Pública. Ponto.
26 de abril de 2010
Rir ou Chorar
Imagine um baixista que parte numa viagem de navio pelo Mediterrâneo, para tocar música latina até meados de novembro. Pois bem, esse ser existe e é o amigo Gabriel, cuja despedida foi em um petit comité, semana passada.
No frisson da real despedida, já sentindo o gosto amargo da saudade doce, abracei o casal Telma Luciana e Gabriel Catanzaro e corri pro Fusquinha 68, vinho - tanto faz a bebida ou a cor. Só que a songa-monga que vos fala simplesmente havia esquecido que o banco do passageiro tinha sido retirado, sendo que era ali que eu iria me sentar. Ou melhor, ACHAVA que iria me sentar.
Estava armado o espetáculo especialmente montado para alegrar o momento "sei que é triste a dor do parto mas eu tenho que partir". O que se passou a seguir é inexplicável. Despenquei feito vara verde do alto dos meus 68kg (tá bom, omiti uns quilinhos de toucinho na região do pânceps), pois entrei no carro convicta de que tudo seria, de novo, do jeito que já foi um dia. Estava crente que teria um assento para me assentar, mas dei com a bunda no chão. Bati meu chassi no assoalho, e meus joelhos se envergaram pra cima. Fiquei, literalmente, de pernas pro ar. Me senti aquela mocinha azul do filme Avatar; toda grande, esparramada feito manteiga na chapa. 1.78cm de mico garantido ou sua risada de volta.
Óbvio que juntou gente na janela, perguntando o que tinha acontecido comigo. Eu, ainda na chón, nem levantava nem respondia; não sabia se ria ou se chorava (se não me engano, fazia ambos). Tá bom, bati as costas num ferro (talvez um tripé!) e estava doendo muito, mas a cena era tão patética, mas tão patética, que a risada inevitavelmente encobria o choro!
-Meu bem, você se machucou (interroga)
-Vambora, pelo amor de Deus!
Adendo urgente
Depois de um tombo brabo, existem três opções de providências a serem tomadas:
1- a pessoa levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima com categoria e "guenta" a dor - aí todos podem relaxar e tirar sarro do mané;
2- a pessoa finge desmaio ou convulsão - aí todos se preocupam e ficam enternecidos;
3- ou a pessoa implora pro namorado acelerar o carro e sair dali com urgência - aí todos ficam com cara de lápis, ainda sem saber se era pra rir ou chorar.
No frisson da real despedida, já sentindo o gosto amargo da saudade doce, abracei o casal Telma Luciana e Gabriel Catanzaro e corri pro Fusquinha 68, vinho - tanto faz a bebida ou a cor. Só que a songa-monga que vos fala simplesmente havia esquecido que o banco do passageiro tinha sido retirado, sendo que era ali que eu iria me sentar. Ou melhor, ACHAVA que iria me sentar.
Estava armado o espetáculo especialmente montado para alegrar o momento "sei que é triste a dor do parto mas eu tenho que partir". O que se passou a seguir é inexplicável. Despenquei feito vara verde do alto dos meus 68kg (tá bom, omiti uns quilinhos de toucinho na região do pânceps), pois entrei no carro convicta de que tudo seria, de novo, do jeito que já foi um dia. Estava crente que teria um assento para me assentar, mas dei com a bunda no chão. Bati meu chassi no assoalho, e meus joelhos se envergaram pra cima. Fiquei, literalmente, de pernas pro ar. Me senti aquela mocinha azul do filme Avatar; toda grande, esparramada feito manteiga na chapa. 1.78cm de mico garantido ou sua risada de volta.
Óbvio que juntou gente na janela, perguntando o que tinha acontecido comigo. Eu, ainda na chón, nem levantava nem respondia; não sabia se ria ou se chorava (se não me engano, fazia ambos). Tá bom, bati as costas num ferro (talvez um tripé!) e estava doendo muito, mas a cena era tão patética, mas tão patética, que a risada inevitavelmente encobria o choro!
-Meu bem, você se machucou (interroga)
-Vambora, pelo amor de Deus!
Adendo urgente
Depois de um tombo brabo, existem três opções de providências a serem tomadas:
1- a pessoa levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima com categoria e "guenta" a dor - aí todos podem relaxar e tirar sarro do mané;
2- a pessoa finge desmaio ou convulsão - aí todos se preocupam e ficam enternecidos;
3- ou a pessoa implora pro namorado acelerar o carro e sair dali com urgência - aí todos ficam com cara de lápis, ainda sem saber se era pra rir ou chorar.
Adivinhe qual alternativa escolhi!
FIM DA PARTE LEVE DA COISA. E INÍCIO DA SESSÃO "POBREMA DO ZÔTO".
(se não quiser isso pra sua vida, minimize a janela e não continue a leitura. E que se dane, agora, meu bom humor).
Alguns dias depois, comecei a sentir uma dorzinha... que começou "inha" e virou "ona". Foi horrível. Começou na lombar e foi se espalhando por toda a coluna, até que não conseguia mais levantar da cama, de tanta dor.
Comecei a chorar. Me sentia impotente com aquelas fisgadas horrorosas; era como se minha bacia estivesse deslocada. Beirei o estado de pânico. E era sábado, penúltima semana de peça no teatro. Chorei mais ainda, pensando na comédia.
Em meu socorro veio o doutor benhê: com pomada, Salonpas (antes de P e de B só usamos M) e Tandrilax (salve a droga). Tomei às 17h, pro efeito atingir o cume às 21h; bem no terceiro sinal, início do espetáculo... e bingo!
Ufa, deu tudo certo. Não só consegui apresentar, como foi o dia da plateia mais gostosa, leve e risonha. Minha cura e minha força vieram da energia daquelas (quase) 100 pessoas presentes, da magia do palco, da solidariedade da coxia, do ombro amigo do camarim... foi inesquecível.
--------------------------------------------------------------
Edu (e família!): sem você(s), não sei o que teria feito (amor).
E já faz 3 dias que tô com o nariz cheirando a cânfora, aff.
23 de abril de 2010
Niltão Cornão
Em tempos de corrida final para entrega da declaração do imposto de renda até dia 30, me vi obrigada a ir ao despachante da minha rua. O nome dele é Nilton.
Acontece que, segundo as "boas línguas" do bairro, Nilton (o Niltão) largou sua ex-mulher, que era "linda de viver" (ainda de acordo com as mesmas "boas línguas") para se casar com uma mulher mais jovem. Sim, pasmem: eu disse "mais jovem".
E o povo da Jaguara falou, o bairro se chocou, as fofoqueiras estremeceram em seus portões... até que deu no que deu: picharam o muro do escritório de contabilidade do homem com os dizeres "NILTÃO CORNÃO", rabiscados com spray apressado.
Só que isso já faz anos... Niltão nunca quis apagar a ofensa que lhe dá bom dia todas as manhãs quando chega ao trabalho. Eu, curiosa com a vida alheia, perguntei a minha mãe, que é mais entendida, qual o motivo de não apagarem aquilo ali. Ela disse que o Nilton é muito bem resolvido e tem cabeça boa, então nem liga praquele papo de cornão. É a velha história: chifre é uma coisa que colocam na cabeça da gente... quem disse que adulto não sofre bullying!
Pois hoje fui lá para entregar o comprovante de rendimentos (como se eu tivesse algum). Confesso que estava um tanto ansiosa para ver a cara do tal Niltão. A secretária novinha veio à porta e falou comigo pelo intercom.
-Pois não (interroga)
-Eu queria falar com o Nilton.
-Quem gostaria (interroga)
-É a Brenda.
-Brenda de onde (interroga)
-... (eu pensativa)
-... (ela interrogativa)
Fiquei pensando de onde eu era. Brenda de Ibiá, Minas Gerais, do triângulo mineiro... mas acho que não era isso que ela queria saber.
-Brenda... daqui! - foi o que saiu - sou filha da Marizia.
Ah, bom. Ela sorriu e abriu a porta. Olhei à volta, na esperança de ver algo que pudesse identificar o alvo... mas ele não estava. Entreguei o documento, falei meia dúzia de palavras e saí apressada, tentando fugir da chuva da penúltima sexta-feira de abril de 2010.
21 de abril de 2010
Os 18 Mandamentos da Atriz
Seguindo os moldes das revistas femininas, seguem OS MANDAMENTOS DA ATRIZ - em um dia de trabalho.
1. Esteja com as axilas bem depiladas. Afinal, ninguém quer um sovaco de coentro no meio da cena! Meia-perna e buço também são imprescindíveis.
2. Corte o pé de uma meia-calça e leve consigo uma touca sensacionalmente funcional (para o caso de ter que usar uma peruca).
3. Dizem que "sutiã bege é coisa de tia velha". Mas não em dia de gravação, ou no teatro. Vá de bege, pois cor da pele é curinga. E use calçados confortáveis, com solado aderente e que não machuquem os pés.
4. Mantenha as unhas sempre curtas e bem feitas com esmalte clarinho (Renda).
5. Cabelos devem estar limpos e secos. Se você for uma mulher de muitos penteados, use o mesmo com o qual foi vista no teste ou registro de imagem.
6. Tome bastante cuidado com o figurino. Atenção para não manchá-lo ou danificá-lo acidentalmente.
7. Depois do break pro cigarro, é elegante lavar as mãos, escovar os dentes e borrifar em si algum neutralizador de odores. Afinal, fumar e chupar uma balinha é como cagar e sentar num sabonetinho.
8. Itens indispensáveis na sua necessaire: escova de dentes, fio dental, lencinhos umedecidos, desodorante, hidratante, trecos pro cabelo (substâncias + acessórios), maquiagem básica (corretivo, base, pó, blush e rímel) e PROTETOR SOLAR PRO ROSTO (sempre, todo dia!).
9. Descubra qual o seu perfil (executiva, mãezinha, sexy, etc) e explore-o (em fotos). Divulgue. Mande por email. Venda-se.
10. Somente prometa o que pode cumprir. Não deixe ninguém esperando, no trabalho.
11. Deixe seus problemas pessoais fora do seu ambiente de trabalho. Faça bom uso do seu profissionalismo.
12. Saiba seu texto de trás pra frente. Estude antes, e muito. Sinta-se exageradamente segura depois de tanta prática. Isso vai ajudá-la a fazer tudo com presteza e eficácia. Serviço bem feito deixa todo mundo satisfeito! Deixe o foco no seu TRABALHO, não no seu EGO. Sinta a delícia de trabalhar fazendo o que gosta. Faça bem feito e agradeça.
13. Não tenha pudores em relação a hierarquias (dentro de um estúdio, set, etc). Claro que existem, mas lembre-se que todos tem sua importância interligada. Não tenha vergonha de dizer "não entendi". Pergunte quantas vezes achar necessário; de preferência, direto ao diretor. Pense na teia de funções por trás de você, e facilite tudo que puder. Diga não ao amadorismo.
14. Um pouco de bate-papo é bom pra quebrar o gelo, mas deve ser curto e discreto. Seja simpática, sem forçar. Não é um crime conversar com seus colegas, desde que esteja atenta às ordens superiores para atendê-las rapidamente. Saiba que algumas equipes são formadas só por gente boa, enquanto outras cumprem o protocolo e só (não desenvolvem vínculos). Jamais tenha a falta de ética de revelar cachês ou perguntar valores, para fazer comparações com colegas.
15. Se por algum motivo sentir-se lesada ou ofendida com algo, conteste. Claro. Porém seja discreta e pontual, para SOLUCIONAR problemas, e não alimentar DISCÓRDIAS.
16. Gravando! Evite todo tipo de dispersão. Você é (bem) paga pra ficar concentrada no seu trabalho. Quando estiver falando palavras ou frases que vão aparecer na legenda do filme, use as mãos para indicá-las. E lembre-se sempre de apontar da direita pra esquerda (direção correta, na visão do espectador).
17. Existem tantas estrelas no céu e nenhuma encobre a outra, pois tem espaço para TODAS brilharem. O mesmo vale para nós atrizes... atores, e afins. Seja GENEROSA, sempre.
18. Faça o que ama... e ame o que faz! Está aí O SEGREDO DA FELICIDADE!
1. Esteja com as axilas bem depiladas. Afinal, ninguém quer um sovaco de coentro no meio da cena! Meia-perna e buço também são imprescindíveis.
2. Corte o pé de uma meia-calça e leve consigo uma touca sensacionalmente funcional (para o caso de ter que usar uma peruca).
3. Dizem que "sutiã bege é coisa de tia velha". Mas não em dia de gravação, ou no teatro. Vá de bege, pois cor da pele é curinga. E use calçados confortáveis, com solado aderente e que não machuquem os pés.
4. Mantenha as unhas sempre curtas e bem feitas com esmalte clarinho (Renda).
5. Cabelos devem estar limpos e secos. Se você for uma mulher de muitos penteados, use o mesmo com o qual foi vista no teste ou registro de imagem.
6. Tome bastante cuidado com o figurino. Atenção para não manchá-lo ou danificá-lo acidentalmente.
7. Depois do break pro cigarro, é elegante lavar as mãos, escovar os dentes e borrifar em si algum neutralizador de odores. Afinal, fumar e chupar uma balinha é como cagar e sentar num sabonetinho.
8. Itens indispensáveis na sua necessaire: escova de dentes, fio dental, lencinhos umedecidos, desodorante, hidratante, trecos pro cabelo (substâncias + acessórios), maquiagem básica (corretivo, base, pó, blush e rímel) e PROTETOR SOLAR PRO ROSTO (sempre, todo dia!).
9. Descubra qual o seu perfil (executiva, mãezinha, sexy, etc) e explore-o (em fotos). Divulgue. Mande por email. Venda-se.
10. Somente prometa o que pode cumprir. Não deixe ninguém esperando, no trabalho.
11. Deixe seus problemas pessoais fora do seu ambiente de trabalho. Faça bom uso do seu profissionalismo.
12. Saiba seu texto de trás pra frente. Estude antes, e muito. Sinta-se exageradamente segura depois de tanta prática. Isso vai ajudá-la a fazer tudo com presteza e eficácia. Serviço bem feito deixa todo mundo satisfeito! Deixe o foco no seu TRABALHO, não no seu EGO. Sinta a delícia de trabalhar fazendo o que gosta. Faça bem feito e agradeça.
13. Não tenha pudores em relação a hierarquias (dentro de um estúdio, set, etc). Claro que existem, mas lembre-se que todos tem sua importância interligada. Não tenha vergonha de dizer "não entendi". Pergunte quantas vezes achar necessário; de preferência, direto ao diretor. Pense na teia de funções por trás de você, e facilite tudo que puder. Diga não ao amadorismo.
14. Um pouco de bate-papo é bom pra quebrar o gelo, mas deve ser curto e discreto. Seja simpática, sem forçar. Não é um crime conversar com seus colegas, desde que esteja atenta às ordens superiores para atendê-las rapidamente. Saiba que algumas equipes são formadas só por gente boa, enquanto outras cumprem o protocolo e só (não desenvolvem vínculos). Jamais tenha a falta de ética de revelar cachês ou perguntar valores, para fazer comparações com colegas.
15. Se por algum motivo sentir-se lesada ou ofendida com algo, conteste. Claro. Porém seja discreta e pontual, para SOLUCIONAR problemas, e não alimentar DISCÓRDIAS.
16. Gravando! Evite todo tipo de dispersão. Você é (bem) paga pra ficar concentrada no seu trabalho. Quando estiver falando palavras ou frases que vão aparecer na legenda do filme, use as mãos para indicá-las. E lembre-se sempre de apontar da direita pra esquerda (direção correta, na visão do espectador).
17. Existem tantas estrelas no céu e nenhuma encobre a outra, pois tem espaço para TODAS brilharem. O mesmo vale para nós atrizes... atores, e afins. Seja GENEROSA, sempre.
18. Faça o que ama... e ame o que faz! Está aí O SEGREDO DA FELICIDADE!
15 de abril de 2010
Expectativa
Pra ver alguma coisa possivelmente dar errado é só botar muita expectativa. Ontem fui ao cinema pra assistir ao filme "O segredo dos seus olhos", crente que veria algo estupendamente espetacular. Foi o que tantos disseram, e eu cri.
Começou. E nada. Cena vai, cena vem. E não começava. Eu lá, esperando. Otimista, cheia de expectativa. "Deve ser um filmaço!", pensava comigo. E nada.
Um barulhinho começou suave e foi subindo o tom: era meu namorado roncando baixinho, à vontade na poltrona. "Eu entendo", pensei, sobre sua jornada da sétima arte direto pro oitavo sono.
Enquanto isso, na tela, Ricardo Darín, com aquela cara inchada de cachaça (mas parece!), escrevia um livro sobre um assassinato que nunca saiu da sua cabeça... investigação, traminhas baratas. O filme todo em flash back. Não que eu tenha algo contra flash back, imagina. Até gosto. Minha bronca é com todo o resto do enredo, mesmo.
Um barulhinho começou suave e foi subindo o tom: era meu namorado roncando baixinho, à vontade na poltrona. "Eu entendo", pensei, sobre sua jornada da sétima arte direto pro oitavo sono.
Enquanto isso, na tela, Ricardo Darín, com aquela cara inchada de cachaça (mas parece!), escrevia um livro sobre um assassinato que nunca saiu da sua cabeça... investigação, traminhas baratas. O filme todo em flash back. Não que eu tenha algo contra flash back, imagina. Até gosto. Minha bronca é com todo o resto do enredo, mesmo.
Aí chegou a hora de alguma revelação. Silêncio total na tela, no cinema... e o ronquinho do meu bem ecoava pelas fileiras. Dei-lhe uma leve cutucada. Ele logo acordou e perguntou:
-O que foi (interrogação)
PS.: Ainda não achei o ponto de interrogação no meu teclado. Estou, desde dezembro de 2009, sem fazer perguntas. Se alguém souber como colocar este acento, por favor escreva para brenda.ligia@hotmail.com - o modelo do meu lap é DELL Inspiron, se é que isso é um dado essencial. Obrigada!
Concluindo a história: em nenhum momento eu quis que "O segredo dos seus olhos" acabasse logo, pois minha esperança ainda dizia que algo surpreendente iria acontecer para justificar tanto barulho em volta do filme (olha a expectativa lá no alto!). É claro que é bem conduzido, tem ritmo, tem um plano sequência que é de impressionar (surreal)... mas não me tocou. E olha que ganhou Oscar de melhor filme estrangeiro e tudo! Tá vendo só, como nem tudo que reluz é ouro...
13 de abril de 2010
A enfermeira paciente
Imagine uma enfermeira em pleno exercício da função, que começa a passar mal e... tem um princípio de piripaque. Claro, no bom sentido. Se é que existe um.
Pois bem, aconteceu com minha mãe. Pobrezinha, sentiu dores no peito e a pressão subiu muito; fez eletrocardiograma e exame de enzimas. Por pouco não ficou internada. Nesse ínterim, houve mobilização geral. Filhos, netos, colegas de trabalho.
Meu irmão do meio, o figuraça Arthur Eustáquio, me disse:
-Falei com a enfermeira Rose e ela me tranquilizou bastante. Deve ser bem experiente nisso.
E eu:
-É, tranquilizou tanto que em 5 minutos você saiu do trabalho e veio me buscar para irmos visitar a mamãe.
RISADAS DO AUDITÓRIO
(primeira piada do episódio "A enfermeira paciente")
No caminho pra zona noroeste da cidade, obviamente, nos perdemos. Cada posto de gasolina ou ponto de taxi que passava, eu sugeria que parássemos para perguntar. E ele, nada.
-Não entendo o porquê dos homens relutarem para pedir informações quando estão perdidos!
E ele:
-A gente não pergunta porque vocês já chegam contando pra todo mundo que teve até que parar pra perguntar. E sempre tem alguém pra explicar que era só pegar tal rua até tal ponto, e a gente fica com cara de tacho.
RISADAS DO AUDITÓRIO
Enfim, paramos pra perguntar. Ele bufava. Enquanto o frentista pensava na resposta, ele chiava, resmungando:
-Ih, olha a cara desse aí... tá na cara que não sabe o caminho. O cara nem mora aqui.
RISADAS...
E eu ria tanto, mas tanto que nem parecia que estávamos indo visitar a mamãe no hospital.
Meu irmão é muito engraçado! Traz uma leveza infinita para todo e qualquer momento! Uma bênção, raio de luz!
E, se existem "pequenas sacanagens" veladas que só irmãos podem fazer entre si, foi o que fiz assim que chegamos lá. Na primeira oportunidade de responder se havíamos chegado bem, falei:
-Ih, mãe, a gente ficou rodando quase meia hora... tivemos até que parar pra perguntar!
E ela:
-Era só pegar a Inajar até o final, Arthur!
RISADAS FINAIS. Fim do Episódio "A Enfermeira Paciente".
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E GRAÇAS A DEUS mamãe vai bem, obrigada.
Não ficou internada. Foi só susto, não foi nada.
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