Atriz: Brenda Ligia - direção: Tarcísio Duarte. Governo de Sergipe.
"Junte uma boa dose de amor, afeto, e carinho.
Clique AQUI para assistir ao comercial CRECHES. 


MC Brenda Ligia em ação: clique para assistir!
Eu e papai, na Champs-Élysées
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Agora senta que lá vem a história...
Lá pelos anos 50, em Ibiá (triângulo mineiro de Minas Gerais, minha terra natal: a capital do leite), minha avó deu à luz o primeiro menino; negro de olhos verdes. Eram pobres, família grande; se não me engano, chegaram a passar fome. Frango era só no natal. Soube que meu pai tinha que cortar o calcanhar dos sapatos quando não mais lhe serviam, pois em tempos em que os pés cresciam rápido, o trabalho do meu avô ferroviário não bastava para calçar 14 pés de 7 filhos (imagina!).
Não sei mais o que é lenda, mas soube que meu pai fora lenhador, padeiro, carteiro e entregador de jornal (será que, em Ibiá, àquela época, já havia jornal?); sempre muito estudioso, dotado de uma incrível habilidade com números exatos. Porém seu primeiro emprego formal foi arranjado pelo meu avô, na Nestlé da cidade (fábrica de Leite Ninho): meu pai era contínuo (vulgo office-boy). Depois de anos, foi promovido. Transferiram-no (já com família) para Itabuna (BA); nova promoção e transferência para São Paulo; e depois, finalmente à Suíça (a sede da Nestlé, em Vevey), onde viveu por sete anos, encontrou o amor e casou-se com minha madrasta, Yvonne. Fomos ao show do B.B. King no festival de Montreux, viajamos por quase toda a Europa e ganhamos 2 irmãos novos!
Nova transferência: desta vez para a Nestlé de Trinidad & Tobago, no Caribe; eu fui junto... fazer faculdade de Ciências Sociais (?), morar em república e falar inglês fluente. Depois de anos, novo destino: Panamá, na América Central (obrigada, Yvonne, por nos dar de presente aquela viagem em grande estilo, com nossa grande família!).
Resumindo... Hoje é DIA DOS PAIS e estou sozinha num quarto de hotel, digitando nesse lap top que ele me deu de presente de aniversário. Que meus pensamentos amorosos voem além mar, até a Suíça, para te abraçar, papai. Te agradeço não pelo carro que me destes, nem por me obrigar a estudar línguas, nem pelas Barbies da vida, nem por ter nos levado ao show do Michael Jackson no Morumbi.
Agradeço, sim, por todas as vezes em que chegava cansado do trabalho ou das aulas que dava na FAAP (formou-se "depois de velho", como diziam), e ainda assim tinha espírito para alegrar-se com meu sorriso dormente no sofá. Amassava meio abacate com leite Ninho e açúcar e dividia comigo; obrigada, papai. Por me carregar no colo até quando possível (sim, é também uma metáfora). Por me aconselhar, ensinar, perdoar. Por querer sempre o melhor pra mim, pros meus irmãos. Por ser este homem reto, elegante, de grande valor e bons princípios herdados dos meus avós. Obrigada por ter transformado aquela menina nessa mulher que sou hoje, pai. Considere a missão cumprida!
Agora, de repente, a saudade começou a queimar o peito. E enquanto cai essa solitária lágrima singela (do meu olho esquerdo), termino esse post emocionado com a certeza de que, se um dia eu te der um décimo da alegria que sinto por ser sua filha, já valeu a pena, pai. Te amo, sempre.
Sua filha Brenda
(foto: Joãomiguel)



Tem um tipo de experiência social que só viagens a trabalho podem proporcionar à cidadã comum (eu). A mais recente me ocorreu em Sergipe, onde fui gravar um comercial para o governo. Chegando a Aracaju, rumamos ao sertão sergipano, semi-árido como nunca... o destino seria um milharal próximo à cidade de Nossa Senhora da GLÓRIA. 
Foi um bom trabalho, com um diretor conhecido com quem eu já havia gravado um dos meus primeiros comerciais, há muito tempo (o italiano Carmine Bagnato; gente fina).
Porém foi um tanto difícil... estava muito frio e eu tinha que me controlar para não bater queixo na hora do "AÇÃO!". Estávamos num local precário (no segundo andar de uma construção do novo hospital ali em S.B.C.), sem estrutura nenhuma; quando queríamos ir ao banheiro, nossas galochas tinham que chafurdar na lama durante todo o trajeto (que levava em torno de 10 minutos).
O roteiro já denunciava o alto grau de dificuldade que enfrentaríamos: minha cena final seria filmada de um helicóptero. Sim: um plano sequência filmado de um helicóptero. Mini, porém voador (e potente!).
Tudo bem quando a atriz erra e a equipe toda recomeça; mas quando a atriz erra e um helicóptero tem que pousar para então recomeçar... ah! Aí é dureza. Então tive que me esforçar dez vezes mais do que o normal para conseguir não errar nem uma única vez (em 5 horas gravando essa mesma cena, ui ui ui!). Deu certo, graças a Deus, mas meu coração batia forte no peito (pressão!).
Talvez porque, pouco antes de começarmos a gravar, a assistente de direção tenha me chamado de canto e alarmado a seguinte BOMBA: "Brenda, talvez o vento possa atrapalhar o voo do helicóptero na hora de gravar, então, caso veja que está vindo na sua direção, se joga no chão, rápido... pra não cortar seu pescoço". UAU... pasmei!
Em instantes gritaram "ação"!... e não me pergunte como consegui sorrir e falar para a câmera, com credibilidade e simpatia, olhando para aquele mini-helicóptero cujas hélices pareciam ter corte mais afiado que o bisturi do Jack, o Estripador. Cruz credo.
Forraram o chão à minha frente com um pano, para o caso de eu precisar mergulhar em solo seco, pois havia a preocupação de não sujar o figurino (tailleur claro). Como se, em caso de pânico urgente, eu fosse capaz de discernir entre chão sujo de construção e pano limpo da equipe de filmagem... não enquanto meu pescoço estivesse em jogo! Ora: o instinto de sobrevivência fala mais alto nessas horas.
Enfim... por incrível que pareça, o trabalho transcorreu sem maiores incidentes (nem tampouco acidentes, ufa!).
Acho que o filme vai ficar bonito! E gostei da causa: a construção de um novo e enorme hospital para a população carente daquela região. Vale muito!
Também consegui aproveitar a (curta!) viagem a trabalho para fazer passeios culturais com o marido em São Paulo, ficar com a família, rever alguns (poucos) amigos, brincar com as crianças...

Apresentação "Simplesmente Monólogos"- Espaço MUDA - foto: Marcelo Pinheiro
Há alguns meses, o diretor pernambucano Jorge Féo (amigo!) me deu o livro Vilarejo do Peixe Vermelho, de Anderson Aníbal (da Cia Clara de Teatro mineiro). Desde que li pela primeira vez, entrei numa viagem: a viagem da descoberta, da repetição, das escolhas e tentativas (bem sucedidas ou não).
Assim é o processo... uma verdadeira delícia! Descobrir cada nuance do texto, cada vírgula, palavra e gesto. Falar sozinha pelos caminhos, decorando, treinando entonações. Fazer caras e caretas, expressões, vozes pelas ruas. Visualizar a personagem de todas as formas: na memória, no espelho, com música, emoção...
Que condenem-me os críticos, mas minha memória emotiva é que me traz inspiração e verdade. A minha técnica é um vilarejo onde o peixe vermelho é meu coração, que pulsa em cena, porque faço com amor. Esse trabalho foi muito importante pra mim: CARTAS. Ah... a gente inventa cada coisa!
Já com saudades da Luíza que existiu em mim,
Brenda
Nessa foto, Luíza. Parece comigo, mas tem cabelo escovado e é um pouco mais carente.
Dia 16 de junho, quinta-feira, às 21h, no Espaço Muda: SIMPLESMENTE MONÓLOGOS