Brenda Ligia-Cinema,TV,Teatro

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Brenda Ligia, atriz, atuou em 17 longas, 13 séries de TV e 10 espetáculos teatrais. Também é mestre de cerimônias, apresentadora, diretora e locutora trilíngue; fala inglês fluentemente e francês. 6 prêmios nacionais e internacionais de Melhor Atriz e Melhor Direcão. No CINEMA, atua em Lusco-Fusco, Amadeo, Cerrates Robin Hoods, Meu último desejo, Lispectorante, Cidade;Campo, Amado, Sangue Azul, Onde Quer Que Você Esteja, Todas as cores da noite, Bruna Surfistinha, Flores do Cárcere, As melhores coisas do mundo, Bom dia, eternidade, Dente por dente, Contra a parede. Na TELEVISÃO, atua na série Na Batalha (estreia em breve). Na TV Globo, atuou nas séries Sob Pressão, Assédio e na comédia A mulher do prefeito. Na HBO Max, está no k-drama Além do Guarda-roupa. Protagonizou episódio da série História de Preta. Participou das séries África da Sorte, Hard, Beleza S/A, Ninguém tá olhando, Somos um só, 9mmSP. É apresentadora da série Gol de Letra (estreia em breve). Contato: brenda.ligia@hotmail.com

23 de setembro de 2012

Rio Vermelho

Brenda, eu entrei em desespero quando vi aquele mundo de sangue escorrendo ralo abaixo. Eu tinha andado de bicicleta o dia inteirinho, até machucar! “Minha mãe vai me matar!”, eu pensava. Naquela época, ninguém conversava sobre essas coisas com a gente. Eu nunca ia imaginar que aquilo era normal!
Aí foi a titia Islane que me chamou de canto e explicou que todo mês ia acontecer, e que eu não podia mais subir em árvore, nadar no rio... eu não podia fazer mais nada que eu gostava, porque eu tinha ficado mocinha. Já pensou?
Casei com seu pai com 17 anos; menina de tudo. Com 19, seu irmão nasceu. E eu doida com uma menininha... eu via os vestidinhos, os lacinhos... sabe? Depois de uns anos, tentamos. E veio o Arthur.
A gente já tinha desistido da menininha quando eu engravidei de novo. Era a última chance porque eu ia ligar as trompas. Só que fui engordando demais da conta... foram 27 quilos, Brenda do céu! Eu virei uma bitelona, você precisava ver que coisa horrorosa, toda inchada, parecendo uma pata.
Tive a primeira contração às 4 da tarde e fui pra Santa Casa, ali no São Dimas. Brenda... sei que eu sofri mais de 12 horas, minha filha. O Doutor Olímpio falou que só uma das duas ia sobreviver, menina. Seu pai, doidinho. Você só foi sair depois das 7 da manhã do dia seguinte! As enfermeiras que trocavam de turno às 6 ficaram impressionadas de ver que eu ainda tava lá. Urrando de dor... cada contração, nó!
Depois de muita peleja, você nasceu com 6 quilos e 100, Brenda. É... 6 ponto 1, fia. Também!,  veio rasgando períneo, rasgando tudo. Um rio vermelho... nossa senhora! Só de lembrar, olha aqui o arrepio. Todo mundo vinha perguntar: “Uai, essa não é aquela que nasceu ontem?”, “Mas desse tamanho?”. Ninguém nunca tinha visto um bebê gigante que nem você, Brenda.
Olha, filha, se não fosse lá em Ibiá, eles iam ter te botado naquele livro dos recordes, sabe? Como é que fala, em inglês? Tiveram que me costurar toda. Cê quase mata a gente... cruz credo, filha.  
 
- Por Lenda Brígia - Baseado em fatos super reais/ livre adaptação.
Mãe só tem uma. E hoje é aniversário da minha!
Dona Marizia, se teletransporte já funcionasse, meu abraço saudoso ia voar pra São Paulo e dizer “TE AMO, MAMÃE”. Parabéns!

22 de setembro de 2012

Banzo

Ao pai - Quando eu tinha 14 anos, meu pai foi transferido pra Suíça. Desde então, meu coração bombeia saudade permanente: acostumou-se ao banzo. O pensamento resgata sorrisos, histórias, momentos... lágrima besta que teima em cair. Como eu queria estar perto pra te dar um abraço agora, pai. Você me deu a vida, educação, segurança, caráter... e muito amor. Obrigada não basta para tanto. Que minhas vibrações positivas viajem milhas pelo Atlântico para te encontrar em paz; saudoso, mas feliz... FELIZ ANIVERSÁRIO, papai. Amo você, pra sempre “meu herói”.
Sua filha

19 de setembro de 2012

As garotas do privê

 Sergio Penna, Brenda Ligia, Fabiula Nascimento, Simone Iliescu, Erika Puga, Drica Moraes
Cris Lago, Sil Matteussi e Deborah Secco
Sabe quando a lembrança faz cócegas na alma e libera umas borbulhas de euforia na boca do estômago da gente? Então... que delícia trazer pra perto dos olhos quem já está no coração. As parceiras do filme Bruna Surfistinha todas reunidas no exclusivo encontro-privê na casa da Deborah Secco Flores: impossível não sorrir!
Três anos se passaram desde nossas filmagens na cracolândia, num prédio abandonado, sem eletricidade, com muitos lances a galgar antes de alcançar o set. Lá do terraço víamos o nervoso dos zumbis que vagavam como ratos no lixo, piscando seus isqueiros aos bandos. Alguns ainda eram crianças... talvez já nem existam mais.
Para além deste drama real, o que nos marcou, mesmo, foi a preparação para o trabalho com o mestre Sergio Penna, que consistia em passarmos uma temporada vivendo numa pequena casa alugada, em laboratório para construção das personagens e das relações entre elas. Nossa convivência no cotidiano do privê chefiado por Dona Larissa (Drica Moraes) foi fundamental para nos guiar pelo caminho do naturalismo em cena.
Ficamos surpresas com a profundidade que a atuação pode atingir. Dormindo, acordando, fazendo almoço, faxina, novela, balada, briga, baralho, cliente, café. Aprisionada na solidão da minha personagem, encontrei a liberdade para existir apenas; isto me conduziu a um nível até então desconhecido de interpretação. À noite, eu sonhava os sonhos de Kelly, personagem que mal existia no roteiro inicial... uma loucura inventada que só a gente entende.
 
Foram horas, dias, semanas. Momentos de vazio absoluto e dor extrema; tudo real, bruto, seco. Ninguém saía do jogo, intenso e tenso. Música! E dançavam na sala, rebolando e cantando. “Fabiula Nascimento, Cássio Gabus, Deborah Secco, Drica Moraes... o que EU tô fazendo aqui no meio dessas feras?” Concentre-se, Brenda. Espantava meu próprio pensamento, já voltando à cena, pois nosso estado de alerta constante não permitia desligamento nem deslumbre cênico.
Tudo teria ficado apenas na memória se não fosse a ilustre presença de alguém praticamente “invisível” entre as 7 mulheres  confinadas em poucos metros quadrados. Era Lara, a câmera woman discretíssima que registrava de perto os acontecimentos da casinha. São 30 horas de material captado, exclusivo e inédito. Tanta beleza de encher os olhos... tudo vivo e espontâneo, livre. 
 
Então a musa Deborah, que é o ser mais generoso que existe, depois de assistir a um trechinho do todo e salivar com gosto de quero-mais, teve a brilhante ideia e fez questão da presença de todas em sua casa... veio gente até do Araguaia! Foi importantíssimo para completarmos o ciclo (assistir às cenas depois do distanciamento) e cultivarmos o afeto.
O frisson era geral! Gritinhos e abraços sob o calor da amizade. Uma tá casada, outra tá curada, fulana faz regime, ciclana faz sucesso! Parece que foi ontem... assistir aos vídeos da casinha mexeu com a gente, de novo. Cenas duras que revelam a fragilidade humana em seu estado puro... ali vivemos tanta coisa bonita, visceral e verdadeira! Isso, intenso assim, é cinema!

Esparramadas pelo sofá, tapetes e almofadas, discutimos animadamente madrugada adentro, desejando que a noite durasse o tempo suficiente pra matar a saudade.

Sabe quando você tá cansada mas não quer dormir e até segura a bexiga cheia pra não se afastar das boas companhias e aproveitar o tempo? É assim quando a gente se encontra. Somos um time construído com amor e ternura, que é o que a gente leva dessa vida.
Obrigada, sensível Penna, por não acreditar em preparação. Nós acreditamos em você.  E creditamos a você. Com amor às minhas meninas, Brenda Ligia, a Kelly.

FOTOS DA CASINHA (preparação de elenco)
facebook Sergio Penna/ Preparação para cinema: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.202731366410867.60963.100000220161515&type=3

Cenas do FILME - http://youtu.be/hKDkIxsY_l8

 

28 de agosto de 2012

Cinema em Pernambuco

Atualmente, existem 7 novos longas sendo produzidos e 20 em desenvolvimento, aqui no Estado de Pernambuco.


Brenda Ligia por Edson Kumasaka
Um grande VIVA à sétima arte! Eu gosto assim.

23 de agosto de 2012

Coletivo Angu de Teatro

Oficina ministrada no Coletivo Angu de Teatro- "Ator- POESIA em carne viva". "A espontaneidade e a disciplina são os aspectos básicos do trabalho do ator, e exigem uma chave metódica" - Jerzy Grotowski
Estamos estudando Teatro (Método das Ações Físicas/ Grotowski) e isso é muito bom! "A arte não é um estado da alma (no sentido de algum momento extraordinário e imprevisível de inspiração), nem um estado do homem (no sentido de uma profissão ou função social). A arte é um amadurecimento, uma evolução, uma ascensão que nos torna capazes de emergir da escuridão para uma luz fantástica" - Grotowski

14 de agosto de 2012

TV com pegada de CINEMA

Estou radiante e feliz com este (novo) trabalho: atriz convidada da série 9MM São Paulo (Moonshot Pictures), da Fox. Direção: Michael Ruman. Com Marcos Cesana (in Memoriam), Luciano Quirino, Clarissa Kiste. De Roberto D'Ávilla. O papel de Conselheira Adriana foi um PRESENTE! Obrigada. *A série estreou também em Portugal.

7 de agosto de 2012

6 de agosto de 2012

Odara

Música brasileira & Tropicalismo Selvagem
"Deixa eu dançar
pro meu corpo ficar odara"
ODARA: da língua Iorubá, “dara” - belo, bom, bonito, positivo.
Origem: Hindu
Significado: Paz, Tranquilidade.
É usada em expressões e cânticos afro-brasileiros. Sintetiza a idéia de beleza suprema qualificando tudo o que é bom, bonito e positivo.
'Ficar odara' tem o significado de se enfeitar, se preparar para ficar em boa sintonia espiritual.

Fotos: Fabíola Melo









É também o nome de uma festa incrível que acontece quinzenalmente no Catamarã Recife, à beira do rio, ao entardecer. Mágico!


DJs Lala K e Allana Marques

31 de julho de 2012

Candidatos à prefeitura do Recife no CQC da Band

Meu programa de TV favorito, CQC da Band, ontem mostrou os candidatos à prefeitura do Recife (Senador Humberto Costa, do PT, Geraldo Júlio, do PSB, etc).
"QUEM QUER SER PREFEITO?" E quem vai ser prefeito?

29 de julho de 2012

Um pra cada

À esquerda, o mais velho. No meio, a caçula. À direita, o do meio.
(meus irmãos e eu)
Primeiro ouvia-se o tilintar do molho. O chiado da maçaneta, o estalar da dobradiça, o ranger dos passos e, então, o assobio. Sempre às dezenove horas.
Naquele dia ele trouxe uma surpresa: a caixa com furinhos que piavam. Os olhos das crianças brilharam. Três pintinhos: um pra cada, bamboleando pelo balcão.
À primeira bicada, a caçula amarelou. Emburrada, disse que nunca mais iria relar no pinto e nem comer gemada de manhã. Surtou.
O do meio levou o dele pra conhecer o quintal. Mas se desencontraram, e por distração (do petiz, não do filhote) acabou pisando no pobre pinto, esborralhado sem dar um pio. Ploft.
Mas quem mais gostou do presente foi o primogênito, que começou com brandos afagos e foi sucumbindo à empolgação. O moleque achou aquilo fofo, mas tão fofo, que amassou o coitado do pinto até esmagá-lo entre suas mãozinhas. Misericórdia.
Choro em coro. Pais em frangalhos. E só pararam de soluçar durante o adeus aos desenganados no quintal porque o pai, com o pinto vivo na mão, prometeu que  ia trazer três tartaruguinhas no dia seguinte: uma pra cada. 
Por Lenda Brígia
(para meu pai e meus irmãos; em memória dos nossos três pintinhos que viveram e morreram nos anos 80)

Um dia de inverno

Fim de semana em João Pessoa (Jampa). Sol e praia num dia de inverno... nada mal.
Brenda Ligia em Cabo Branco, João Pessoa

20 de julho de 2012

Em breve nos cinemas, Farpa

Matéria publicada sobre a gente e nosso filme Farpa
Brenda Ligia em cena como Maria
Foto: Renata Baracho
Berenice usa a filhinha de colo para pedir dinheiro no semáforo. Maria Flor mudou-se para a cidade grande e acaba como prostituta. Eudócia dá à luz um filho fruto de uma relação incestuosa com o próprio pai.

Farpa narra a história de uma geração de mulheres de uma mesma família que geram filhas mortas. Seja por castração sexual, psicológica ou econômica essas mulheres se tornam vítimas da feminilidade/ sexualidade inerente a elas. 

Direção: Henrique Oliveira / Panan Filmes
Roteiro: H. Oliveira e Patrícia Mess
Da obra de: Arriete Vilela
Elenco: Brenda Ligia, Tamylka Vianna, Carol Teles, Julien Costa, Bethe Miranda e Wallisson Melquisedec
Preparação de elenco: Aramís Correia
Locações: Penedo- AL (junho/2012)
Estreia: 2012

18 de julho de 2012

Céus

O sacolejo me gela, o esfíncter trava e o vermelho pisca. Vida real é queda de altitude.
O senhor gruda na gorda do 13A. O engolidor de facas do 12C dorme. A criancinha de filme de terror se debate entre o 14D e F e contagia os pais, que urram ainda mais para tirar a filha do pânico. Em pouso pra morte, nós irmãos nos damos as mãos, enfim.
A nave rebola no céu, engole nuvens e escorrega em noventa graus para beijar o chão.
Senhor, perdão. Eu juro...
Estouro.

Fico ali, de cinto, máscara, jeans. Na bolsa, coisas que não me servem mais: músicas, sonhos, medos da vida.
Aqui não dói. É calmo e tem brisa fresca. E a surpresa, gente, é que Deus é o Sol. Claro.

por Lenda Brígia

13 de julho de 2012

Dona Nôla do Sô Paulo

Altas terras. Em tupi, Ibiá. Trevo, triângulo mineiro.

Tem rodoviária sem ônibus, padaria sem brôa, boite sem puta.
Matriz, coreto, correio, sorveteria. Pastel Kent, Drogaminas, Calçados Duarte, Dois Irmãos Borracharia.
E todo mundo era de alguém no bairro Rosa Maria: Maura do Zé Ravanhane, Zilda do Simeão, Lena do Zete, e Dona Nôla do Sô Paulo, meus avós. Nove filhos, dois não vingaram. Sobraram sete, com unhas aparadas e orelhas sem macuco.
Dona Nôla do Sô Paulo tinha a delicadeza do gato quando roça na canela, mas butuca de onça quando mata galinha pro almoço. Bicho-de-sete-cabeças: tanta moela jorrando em spray pelo quintal. Ela ria.
O gay era "educadinho". A empregada era "ajudante". E minha vó era meu Papai Noel negão, o bolo de fubá que derrete no céu da boca, o alpendre com samambaia suada de chuva. Desde quando eu era tão miúda que só cabia um coração no lugar do seio.

Por Lenda Brígia
Minha vó Lola, ou Dona Nôla do Sô Paulo (1982)
Maria Aparecida Miguel da Silva

12 de julho de 2012

Narrativas Breves


Não é oficina literária.
É terapia poética.

por Lenda Brígia 




Oficina Narrativas Breves, com o brilhante Marcelino Freire
Sesc Santa Rita, Recife, PE, Brasil.
Marcelino Freire

11 de julho de 2012

Presente

Agora é o presente
Vivo
Entre ontem e amanhã
Respira a alma

Só.

Por Lenda Brígia
(inspiração: Marcelino Freire)


Brenda Ligia, por Marcelo Pinheiro
Praia dos Carneiros, PE
PRESENTE
A garganta seca engoliu o presente num gole só.
Escoou goela abaixo, filtrou rim, lavou alma, subiu aos céus, dançou em poesia e, quando prestes a beijar a Dalva, sumiu-lhe o solo.
Um anjo de vermelho trouxe o balde de prata onde, já ausente, regurgitou todo o presente, com um pouco de mamão-papaya e muito champanhe barato.
Tiraram até retrato, para o caso de, no futuro, não se lembrar do mal passado.

Por Lenda Brígia



Priscila Mello, Brenda Ligia e Lúcia Razera
Foto: Marcelo Pinheiro
Bangalô do Gameleiro, Praia dos Carneiros, PE, Brasil