Brenda Ligia-Cinema,TV,Teatro

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Brenda Ligia, atriz. Estreias em 2017: “Onde Quer Que Você Esteja” (longa da Macondo Filmes/SP); “Causa Mortis” (curta da LRJ Filmes/PE), “Sob Pressão” (série da Rede Globo/ direção: Andrucha Waddington) e “África da Sorte” (série da TV Brasil/direção: Renata Pinheiro). Brenda está nos longas "Todas as Cores da Noite" (Pedro Severien), "As Melhores Coisas do Mundo" (Laís Bodanzky), "Sangue Azul" (Lírio Ferreira), "Bruna Surfistinha" (Marcus Baldini). Atuou nas séries de televisão "A Mulher do Prefeito" (Rede Globo), "Beleza S/A" (GNT), "9mm SP" (Fox), "Somos Um Só" (TV Cultura). Também é apresentadora e videomaker (roteiriza, dirige e monta curtas autorais). Protagonizou diversos comerciais e videoclipes musicais. Estudou no Teatro Escola Macunaíma/SP; atuou em comédias, musicais, infantis e dramas. Foi dirigida por Wagner Moura na leitura dramática do espetáculo “Tchau, Querida!”, de Ana Maria Gonçalves, no Auditório Ibirapuera (nov/16). É formada em Comunicação Social pela Faculdade Oswaldo Cruz/SP, cursou Ciências Sociais na University of the West Indies (Trinidad & Tobago, Caribe) e Francês em Vevey (Suíça). CONTATO: brenda.ligia@hotmail.com

12 de maio de 2012

Sérgio Penna - interpretação para cinema


Conheci Sérgio Penna há alguns anos, durante a preparação de elenco do último longa-metragem da      Laís Bodanzky (“As MelhoresCoisas do Mundo”), do qual participei.   Já de início, fiquei impressionada pela sua sensibilidade artística e tocada pela liberdade encantadora com a qual conduz a vivência do ator.

Brenda e Penna
Algum tempo depois, voltamos  a trabalhar juntos no longa-metragem “Bruna Surfistinha”, do qual tive o privilégio de participar, contracenando com gigantes como Drica Moraes, Fabíula Nascimento, Cássio Gabus Mendes, e a musa Deborah Secco.  A preparação de elenco de Sérgio Penna  foi fundamental para a excelência do processo. Sem ele, não teríamos atingido aquele estágio de verdade cênica até então desconhecido por muitas de nós, atrizes, que, por vontade própria e sugestão do Penna, ficamos alojadas numa casinha especialmente alugada pela produção do filme, destinada ao trabalho de preparação de elenco. O que vivemos ali, juntas, no jogo constante (dormindo e acordando  no personagem, imagina), não está no filme. Somente as lentes de Penna captaram. Momentos únicos, de solidão profunda e dor extrema. E também de alegrias! A vida imita a arte. 
Brenda, Cris e Drica
Brenda e Fabíula (Kelly e Janine)


Naquelas semanas de preparação, isoladas de tudo e todos (senão dos próprios personagens e figuração eventual), porém sob o sempre atento olhar do mestre Penna, cada uma de nós foi transportada para um lugar novo e fundamental para a essência de seu personagem. Algumas de nós chegamos a sonhar com as vivências da casinha! Uma experiência forte e intensa, que delimitou outros limites imagináveis da atuação. Créditos ao mestre Sérgio Penna.
O fato é que Sérgio Penna é o maior preparador de elenco para cinema (e agora também TV! Ele está “batendo cartão” na Globo) que conheço, embora o próprio rejeite a carga que é creditada ao título “preparação de elenco”. Ele diz que esse papo de "método assim, assado" não existe, que é uma invenção comercial para satisfazer a demanda de mercado, e que a única coisa que existe é o ator consigo mesmo, só. Ele diz isso de maneira simples, transparente, honesta e sem o glamour que poderia ostentar depois de ter trabalhado em importantes filmes nacionais como Bicho de Sete Cabeças, Carandiru, Lula, Bróder, Heleno, Gonzaga... Sérgio Penna é simples assim. E menos é mais. Ele é demais!  


Módulo I, em SP

Depois de ansiosa espera pós-módulo I do workshop de interpretação para cinema que Penna ministrou em SP no ano passado,  finalmente anunciaram o tão aguardado módulo II, desta vez no Rio de Janeiro. Arrumei minhas malas e embarquei nesta “viagem”, em diversos sentidos. Contagiada pela beleza e clima da cidade, me deliciei ao primeiro dia do curso de interpretação para cinema-módulo II, por Sérgio Penna, no espaço Rampa-Lugar deCriação.
Éramos 25 participantes que, entre encontros e reencontros, nos gostamos assim, de graça, de peito aberto pra trocar. De cara, brindamos e selamos nosso acordo não verbal de ficar totalmente à vontade, em sintonia coletiva para o crescimento mútuo estimulado pelo mestre Penna. Um privilégio estar ali, sem dúvida. Foram dias inesquecíveis e intensos, trabalhando das 9h às 22h (com folgas ou extensões). A câmera de Byron o’Neill (assistente) nos acompanhava de perto e ao longe, quase invisível, discreta. Dentro de cada um de nós (ator-criador e também personagem), um mundo em particular! Quanta riqueza. Que trabalho sério! Tanta investigação.
Num primeiro momento, pela manhã, sentei-me à frente da lanchonete Estilos, em Copacabana. Meus olhos famintos observavam tudo à volta: as pessoas voltando da praia, os transeuntes que desciam morro abaixo (Pavãozinho), o serviço dos atendentes do bar, os entregadores de mercadoria que vinham descarregar. Pedi um café. Dois. O tempo se arrastando preguiçoso. Então vi, descendo a ladeira, a personagem da vida real que me serviria como fiapo dramático para construção pessoal do exercício de cena. Com assessoria constante do Penna, embarquei na jornada.
E, no sábado à tarde, saí andando sozinha pelas ruas de Copacabana. Não “eu, Brenda”, mas eu-personagem (que ganhou o nome de Jô). Foi ao salão de beleza. E também à farmácia. Tudo com medo de atravessar a rua e de olhar as pessoas nos olhos (medo misturado com vergonha!). E foi no momento em que uma lágrima de Jô caiu sobre uma mexerica recém descascada, que ela pensou tanto em si própria, com tanta força, que se perdeu de si... pluft! Não estava mais lá, a Jô. Numa respiração, voltei. A Jô, então, voltou a si, chupou mais um gomo da fruta (azeda!) e parou de refletir sobre o mundo, sentindo-se profundamente incomodada e acomodada dentro de si e da própria solidão inventada.
E eu, Brenda, aprendi com o mestre Penna que: *a preparação só se dá consigo próprio, mesmo; *não é brincadeira, não é fácil, e é uma coisa muito séria! *às vezes a gente só aprende errando, observando, experimentando (“Só sei que nada sei”, Sócrates). E, sobretudo, aprendi que SEMPRE (sempre MESMO!) vale a PENNA estar junto, Sérgio. A energia que o circunda enche os corações de todos a seu redor, criando uma aura límpida e fluida que irradia beleza, poesia e amizade.
OBRIGADA, mestre.
Turma Módulo II-RJ

RJ, fotos Brenda Ligia





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